D. Sérgio Dinis presidiu à Missa na Capela da Bemposta, na Academia Militar, e apelou aos jovens oficiais para que sejam «guardiões da paz»

A Capela da Bemposta, na Academia Militar, em Lisboa, acolheu, na manhã de 1 de outubro, a Missa da Bênção das Espadas dos novos oficiais que ingressam no Quadro Permanente do Exército. A celebração foi presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, e integrou-se nas cerimónias militares de Entrega das Espadas.

Estiveram presentes o CEME, General Eduardo Mendes Ferrão, e o Comandante da Academia Militar, Major-General Afonso Calmeiro. Participaram também outras altas entidades militares, entre elas o Tenente-General Silva Ferreira, Presidente do Conselho Superior de Disciplina do Exército, o Tenente-General Morgado Silveira, Comandante do Comando da Logística, e o Tenente-General Ricardo Monsanto, Comandante das Forças Terrestres. Estiveram ainda presentes o Major-General Ramalhoa Cavaleiro, Diretor da Direção de História e Cultura Militar, o Major-General António Torrado, Diretor do Departamento de Finanças, o Major-General Dias Martins, Inspetor-Geral do Exército, o Major-General Gamito Torres, Comandante do Comando do Pessoal em Suplência, e o Brigadeiro-General Gomes de Sousa, Diretor da Direção de Saúde. Marcaram igualmente presença o Coronel Luís Cardoso, o Coronel António Menezes, Diretor de Ensino, o Professor Doutor José Fontes, Professor Catedrático e Decano da Academia Militar, e o Coronel Rui Ferreira Silva, Chefe do Gabinete de Ligação da Guarda Nacional Republicana.

Na homilia, o Bispo castrense partiu da primeira leitura, do Livro de Job (Jb 19, 21-27). Recordou a figura do homem ferido e só, que deseja ver as suas palavras «gravadas em bronze com estilete de ferro». Sublinhou a certeza que Job proclama: «Eu sei que o meu Redentor está vivo». Job, afirmou, «não perde a esperança; perde apenas as respostas fáceis». Dirigindo-se aos jovens oficiais, lembrou que «a fé não nos poupa ao combate, mas dá-nos a certeza de que não combatemos sozinhos».

Comentando o Evangelho (Lc 10, 1-12), em que Jesus envia os setenta e dois discípulos «como cordeiros para o meio de lobos», D. Sérgio Dinis destacou que a missão não se cumpre a sós, e que a paz oferecida nunca se perde, mesmo quando é recusada. Acrescentou que Jesus «não nos pede ingenuidade», mas que não nos tornemos lobos para vencer os lobos.

Dirigindo-se diretamente aos novos oficiais, explicou o sentido da bênção das espadas: «não se abençoa a lâmina; abençoa-se a mão que a empunha e o fim a que se destina». A espada, afirmou, «existe para que os lobos não devorem os cordeiros. Existe para guardar a paz».

O Bispo recordou as palavras do Papa Leão XIV aos jovens, na passada segunda-feira, em Metz, quando os convidou a viver com responsabilidade a missão de construir a paz no coração, nas relações e na família, e a não se submeterem «à lógica da violência e da opressão». Considerou que esta é a «ordem de marcha» dos novos oficiais: a paz que defenderão nas fronteiras começa no próprio coração, na forma como tratam quem deles depende, na família que um dia formarem e na palavra dada e cumprida.

Sobre o exercício do comando, afirmou que «comandar não é caminhar isolado no topo; é caminhar à frente, sem nunca deixar de caminhar com os outros». Desejou que a autoridade dos jovens oficiais seja semelhante à do Redentor de Job, a de quem toma a defesa do mais frágil e guarda a dignidade de cada pessoa, «do primeiro instante no seio da mãe ao último suspiro». E exortou-os: «Gravai vós esta missão, não no aço da espada, mas no coração.»

A Igreja celebrou nesse dia Santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das Missões. D. Sérgio Dinis lembrou que a jovem carmelita, que viveu apenas 24 anos, sentia em si «a vocação de guerreiro» e descobriu que a sua verdadeira vocação era o amor. A sua «pequena via» ensina que a grandeza está na fidelidade às pequenas coisas: a palavra cumprida, o cuidado por quem depende de nós e a verdade dita mesmo quando custa.

A homilia terminou com uma invocação a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal, para que guarde as mãos e o coração dos novos oficiais e a espada que receberão nessa tarde seja sempre colocada «ao serviço da justiça e da paz».

Da parte da tarde realizou-se, no Paço da Rainha, a Cerimónia Militar de Entrega das Espadas, com a presença do Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, António José Seguro.