Missa na Sé do Funchal presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense, D. Sérgio Dinis, que apelou ao serviço e à gratidão, sublinhando que “o verdadeiro patriotismo não se apropria da Pátria: serve-a”
A Igreja de Nossa Senhora da Assunção, Sé Catedral do Funchal, acolheu este domingo, 4 de outubro de 2026, a Celebração Eucarística Comemorativa do Dia do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), no âmbito das comemorações do 52.º aniversário deste organismo, que decorreram na Madeira nos dias 3 e 4 de outubro. A cerimónia foi transmitida em direto pela RTP Madeira.
A Missa foi presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, D. Sérgio Dinis, que na homilia refletiu sobre a liturgia do XXVII Domingo do Tempo Comum.
No início da celebração, o prelado dirigiu cumprimentos institucionais a Sua Excelência o Representante da República para a Região Autónoma da Madeira, ao Presidente da Câmara Municipal do Funchal, ao Presidente da Junta de Freguesia da Sé, ao Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, General João Cartaxo Alves, e aos Chefes dos Estados-Maiores do Exército, da Armada e da Força Aérea, bem como aos representantes das demais instituições regionais, autárquicas, militares, policiais, académicas e civis presentes, aos capelães militares e ao cónego da Sé.
Na sua intervenção, D. Sérgio Dinis destacou o significado da celebração, recordando que esta decorre “no ano em que a Madeira comemora cinquenta anos de autonomia”, e sublinhou o lema destes dias: “juntos por Portugal”. O Bispo Castrense evocou “o serviço de tantos homens e mulheres, militares e civis, que, em terra, no mar e no ar, velam pela segurança de todos e servem o seu povo”, com uma “recordação especial” dos cerca de mil e duzentos militares em missão além-fronteiras e das respetivas famílias.
Partindo da imagem da vinha plantada com amor e confiada a mãos humanas, o prelado afirmou que “a vida, a fé, a Pátria, a missão” não nos pertencem, mas nos foram confiadas, esperando o Senhor “frutos de justiça e de paz”. A homilia desenvolveu-se em quatro momentos: “Um cântico de amor”, “A paciência de Deus”, “Administradores, não proprietários” e uma reflexão final sobre São Nuno de Santa Maria.
Referindo-se à realidade madeirense, D. Sérgio Dinis afirmou que “aqui, na Madeira, compreendemos bem esta linguagem”, aludindo às “vinhas arrancadas à rocha, socalcos erguidos pedra a pedra, água conduzida pelas levadas, com a paciência de séculos”. O prelado advertiu que “quem se julga dono acaba por expulsar o verdadeiro Senhor”, sublinhando que “somos apenas administradores de passagem. A vinha é de Deus”.
Aplicando a parábola à missão das Forças Armadas, o Bispo Castrense recordou que a Constituição confia ao EMGFA “a defesa da República, na segurança dos portugueses, no apoio às populações e na promoção da paz para além das nossas fronteiras”, afirmando que “também esta vinha nos é confiada” e que “a lealdade é lembrar a quem pertence a vinha; a honra é entregar os frutos no seu devido tempo; a disciplina é o trabalho paciente de cada dia”. Concluiu que “o verdadeiro patriotismo não se apropria da Pátria: serve-a”.
Evocando São Paulo, que escreveu aos Filipenses “a partir da prisão e em perigo de vida”, o prelado lembrou que “a paz de Deus monta guarda aos corações, como sentinela vigilante”, e que dessa paz nascem “os frutos que Deus espera: tudo o que é verdadeiro, justo e digno de louvor”.
Na parte final da homilia, D. Sérgio Dinis recordou São Nuno de Santa Maria, patrono do EMGFA, que “não se apoderou da vinha; devolveu-a ao seu Senhor”, citando também Santo Inácio de Loiola: “Tudo o que tenho e possuo, Vós mo destes; a Vós, Senhor, o restituo”. O prelado concluiu com uma invocação a Nossa Senhora do Monte, que “do alto do Funchal vela por esta ilha e pelo seu povo”, pedindo que nos ensine “a gratidão de quem tudo recebeu e a fidelidade de quem tudo há de entregar”.
As comemorações do 52.º aniversário do Estado-Maior-General das Forças Armadas decorreram na Madeira nos dias 3 e 4 de outubro de 2026, coincidindo com as celebrações dos cinquenta anos da autonomia da Região Autónoma da Madeira.









