MAPUTO – Entre os dias 26 e 29 de dezembro de 2025, o Contingente Nacional em Moçambique recebeu a visita oficial do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), General José Nunes da Fonseca, acompanhado pelo Bispo do Ordinariato Castrense, D. Sérgio Dinis. A deslocação, marcada por encontros estratégicos e momentos de profunda espiritualidade, serviu para reforçar os laços de cooperação militar e o apoio moral aos militares portugueses em missão no Índico.

A comitiva contou ainda com a presença do Brigadeiro-General João Conde, do Tenente-Coronel Carlos Silva, do Capitão José Assunção e do Sargento-Mor João Boaventura, tendo sido acompanhada de perto pelo Adido de Defesa em Maputo, Coronel Machado Custódio, cuja coordenação logística foi fundamental para o sucesso do programa.

O ponto alto da visita ocorreu no domingo, 28 de dezembro, na Sé Catedral de Maputo. Na celebração do Dia da Sagrada Família, a Eucaristia foi presidida pelo Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos Hatoa Nunes, e contou com a concelebração de D. Sérgio Dinis, que proferiu a homilia, e do Bispo Auxiliar, Dom Tonito Francisco Xavier Muananoua.

Numa intervenção de forte impacto emocional e social, o Bispo das Forças Armadas e de Segurança de Portugal traçou um paralelo entre a fuga da Sagrada Família para o Egito e a realidade moçambicana:

“O Evangelho mostra-nos uma família ferida pela violência… José, Maria e o Menino tornam-se refugiados. Por isso, a Sagrada Família está próxima de tantas famílias moçambicanas marcadas pela pobreza e pela deslocação forçada, sobretudo no Norte do país.”

D. Sérgio Dinis sublinhou que a missão dos militares portugueses, integrados na missão da União Europeia, tem um sentido “profundamente humano e ético”, focando-se na proteção das populações civis e na criação de condições de paz em Cabo Delgado. “Defender estas pessoas não é um ato de agressão; é um dever de consciência”, afirmou, lembrando que o encerramento do Ano Jubilar da Esperança na Arquidiocese não deve apagar a chama da esperança no coração dos crentes.

Para além da vertente espiritual, a visita teve uma agenda institucional intensa:
• Diplomacia de Defesa: No dia 27, o General Nunes da Fonseca reuniu-se com o seu homólogo moçambicano, o General de Exército Júlio dos Santos Jane, consolidando a fraternidade entre as duas forças armadas.
• EUMAM MOZ: A comitiva visitou o contingente da Missão Europeia de Assistência Militar, atualmente comandada pelo Comodoro César Correia. Portugal lidera esta missão não executiva que, só em 2025, formou mais de 800 militares moçambicanos em áreas críticas como logística, direitos humanos e forças de reação rápida.
• CDD: No dia 29, o foco incidiu na Cooperação no Domínio da Defesa (CDD), com um encontro com o contingente liderado pelo Coronel Paulo Lourenço (em substituição do Bgen Raúl Matias), reafirmando o compromisso de Portugal na formação técnica e estratégica de Moçambique.

No final da sua intervenção, o Bispo D. Sérgio Dinis expressou o seu profundo agradecimento ao CEMGFA pelo convite, ao Adido Militar Coronel Machado Custódio pelo empenho inexcedível, e às chefias militares (Comodoro César Correia e Coronel Paulo Lourenço) pelo acolhimento. Um agradecimento especial foi estendido ao Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos Hatoa Nunes, pela hospitalidade e pela comunhão fraterna que uniu as igrejas de Portugal e Moçambique em torno da causa da paz.