Na Igreja de São Francisco, D. Sérgio Dinis evocou a história dos jornaleiros no Rossio e desafiou os militares do histórico Regimento a irem «ao encontro de quem ficou para trás»
A cidade de Estremoz acolheu, no passado domingo, 20 de setembro, as celebrações comemorativas do Dia da Arma de Cavalaria e do aniversário do Regimento de Cavalaria N.º 3 (RC3). O ponto alto do programa religioso decorreu na Igreja de São Francisco, onde foi celebrada a Santa Missa do XXV Domingo do Tempo Comum, presidida pelo Bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Sérgio Dinis, com transmissão em direto pela TVI.
Na homilia, o prelado do Ordinariato Castrense de Portugal partiu da realidade local para refletir sobre a Parábola dos Trabalhadores da Vinha, recordando o quotidiano dos antigos trabalhadores rurais da região: «Há uma praça dentro da parábola de hoje. Estremoz conhece-a bem: chama-se Rossio! Fica ali mesmo, do lado de fora desta igreja. Durante anos e anos, nesta planície, os homens levantavam-se de madrugada, vinham até a esta praça e ficavam à espera, de pé, que alguém os chamasse para a jorna». D. Sérgio Dinis sublinhou que «a justiça de Deus mede pela necessidade do filho, não pelo mérito do trabalhador», alertando contra a tentação de se construir uma relação «mercantil com Deus», pautada pelo custo-benefício.
Na conclusão da sua alocução, o Bispo Castrense dirigiu uma mensagem direta aos militares da unidade anfitriã, apelando ao compromisso e à solidariedade: «Que o Senhor conceda a este Regimento de Cavalaria n.º 3 de Estremoz, que há trezentos e dezanove anos parte à frente dos outros, o gosto de ir ao encontro de quem ficou para trás. E que Nossa Senhora, que permaneceu de pé junto da cruz, nos ensine a permanecer de pé até à última hora».
A celebração contou com uma expressiva participação civil, militar e religiosa. Entre as entidades presentes destacaram-se:
O Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sadio;
O Comandante do Regimento de Cavalaria N.º 3, Coronel de Cavalaria Luís Pimenta;
O Comandante do Regimento de Lanceiros N.º 2, Coronel de Cavalaria Paulo Serrano;
O Presidente da Junta de Freguesia de Santo André de Estremoz, Pedro Ramalho, a par de outros autarcas locais;
No âmbito eclesial e da capelania castrense, concelebraram o Pe. Ricardo Cardoso (pároco), o Pe. Luís Morouço (Capelão Adjunto para o Exército), o Pe. Jorge Matos (Capelão do RC3) e o Diácono Marco Sala.
A cerimónia marcou com solenidade a profunda ligação histórica entre o Regimento dos «Dragões de Olivença» e a comunidade estremocense, aliando a memória castrense à mensagem de serviço e proximidade com os mais frágeis.











