Queluz, 23 de outubro de 2026 — A Escola da Guarda, em Queluz, foi este ano o palco das comemorações do Dia de São João de Capistrano, patrono dos capelães em serviço nas Forças Armadas e nas Forças de Segurança. Organizada pela Guarda Nacional Republicana (GNR), a jornada reuniu dezenas de capelães de todo o país — incluindo sacerdotes vindos das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e capelães na situação de reforma —, num encontro marcado pela comunhão espiritual, pelo conhecimento institucional e pela partilha fraterna.
Abertura solene: comunhão, missão e gratidão institucional
O programa teve início pelas 09h30 com o acolhimento dos participantes, seguindo-se a sessão de abertura oficial. A mesa de honra contou com a presença de Sua Excelência Reverendíssima o Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, D. Sérgio Dinis; da Senhora Brigadeiro-General Carla Cristina Marques Chambel Tomé Domingues, em representação do Comando da Administração dos Recursos Internos (CARI) e do Comando-Geral da Guarda; do Comandante em suplência da Escola da Guarda, Coronel Paulo Poiares; do Capelão Adjunto para a GNR, Coronel Capelão António Rodrigues Borges da Silva; do Vigário-Geral do Ordinariato Castrense, Padre Diamantino; e do Capelão da Escola da Guarda, Tenente-Coronel Capelão Licínio.
Nas palavras de abertura do Capelão Adjunto para a GNR, Pe. António Borges, foi salientada a importância deste encontro inédito no seio da GNR, unindo capelães dos três ramos das Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea) e das Forças de Segurança (GNR e PSP). Recordou-se que os tempos de devir e mudança constituem oportunidades providenciais para reforçar a comunhão sacerdotal ao serviço do bem comum, da glória de Deus e do apoio constante aos militares, polícias e respetivas famílias.
O Comandante da Escola da Guarda, Coronel Paulo Poiares, manifestou a satisfação da unidade em abrir as portas à assistência religiosa castrense, evocando o lema do estabelecimento de ensino — “Renascer no Saber” — e convidando os presentes a encontrar no exemplo de São João de Capistrano uma inspiração para o revigoramento pastoral e humano. Por sua vez, a Brigadeiro-General Carla Domingues dirigiu palavras de estima aos capelães, reconhecendo o valor da sua ação diária, do conforto espiritual e do apoio resiliente nos momentos de aflição, lançando ainda pontes para futuras iniciativas conjuntas de âmbito social e pastoral.
Conhecer para melhor servir: o briefing institucional da GNR
Após a oração da Hora Intermédia, os participantes assistiram a uma apresentação detalhada sobre a estrutura, a história secular e a amplitude operacional da Guarda Nacional Republicana, a cargo do Tenente-Coronel Rui Alfaro Pereira. Com raízes no Corpo Medieval de Quadrilheiros (século XIV) e herdeira da Guarda Real da Polícia criada em 1801, a GNR foi apresentada como uma força de charneira no sistema de segurança e defesa nacional: uma força de segurança integral, de natureza militar e com dupla dependência ministerial (Administração Interna e Defesa Nacional).
Com um dispositivo com cerca de 23 mil efetivos operacionais distribuídos por 20 Comandos Territoriais, a Guarda assegura a segurança da população nacional e patrulha 97% da malha rodoviária e 94% do território de Portugal continental, acumulando competências exclusivas em 100% da vigilância marítima e costeira (até às 12 milhas) e na proteção da natureza e ambiente em todo o território. Foram igualmente sublinhadas missões de elevado impacto humanitário e social, como o transporte urgente de órgãos para transplante (quase 300 órgãos transportados em 2025) e as mais de 5.000 missões do dispositivo helitransportado no ataque inicial a incêndios rurais através da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), além da projeção de forças de intervenção e missões internacionais e cooperação bilateral.
Celebração Eucarística: o desprendimento e a coragem de um padroeiro de vanguarda
Pelas 12h00 teve lugar a celebração da Santa Missa, presidida pelo Prelado Castrense, D. Sérgio Dinis, concelebrada pelos sacerdotes presentes e acompanhada por elementos da Escola da Guarda. No início da liturgia, foram dadas graças pelo aniversário natalício do Padre Ricardo Barbosa e pela dedicação exemplar dos capelães mais idosos e reformados que permanecem ativos no apoio pastoral.
Na sua homilia, D. Sérgio Dinis exortou os capelães à disponibilidade integral e ao desprendimento evangélico:
«Às vezes, o desprendimento dos bens materiais é fácil; o desafio maior é o desprendimento dos afetos e da nossa zona de conforto para estarmos inteiramente ao serviço de Cristo e daqueles que servem as Forças Armadas e as Forças de Segurança. Não temos um padroeiro de retaguarda: São João de Capistrano, já com 70 anos, partiu com os soldados para Belgrado, partilhando o cerco, o medo e a fadiga. A nossa missão é estar ao lado dos nossos até ao fim.»
O prelado apelou ainda ao estreitamento dos laços de proximidade fraterna entre os capelães, independentemente da instituição ou ramo a que estejam afetos, e renovou o apelo a que as dioceses e congregações religiosas possam disponibilizar novas vocações sacerdotais para o serviço da assistência religiosa às Forças Armadas e de Segurança.
Confraternização, meios cinotécnicos e visita
A jornada prosseguiu com um almoço volante na Messe de Oficiais da Escola da Guarda, proporcionando um ambiente fraterno de reencontro e diálogo.
No período da tarde realizou-se a tradicional fotografia de grupo junto ao Edifício de Comando, à qual se seguiu uma demonstração do Plastron de Meios e valências operacionais da Guarda — com particular destaque para as equipas cinotécnicas e respetivos binómios de intervenção tática e deteção —, culminando com uma visita guiada às instalações formativas da Escola da Guarda e a apresentação de cumprimentos institucionais de despedida.



















