LISBOA – A Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Lisboa, acolheu esta quarta-feira, 14 de janeiro, a celebração solene em honra de Nossa Senhora do Ar, Padroeira da Força Aérea Portuguesa (FAP). A Eucaristia, marcada por uma forte componente espiritual e institucional, foi presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense, D. Sérgio Dinis.

A cerimónia contou com a presença do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General João Cartaxo Alves, além de cinco antigos Chefes do Estado-Maior e altas patentes das Forças Armadas e de Segurança, sublinhando a importância da data para a família aeronáutica.

Na sua homilia, D. Sérgio Dinis traçou um paralelo entre a missão dos militares da Força Aérea e a figura de Maria. Para o Bispo Castrense, celebrar a Padroeira é “aprender a elevar o olhar”, não como fuga da realidade, mas como forma de servir melhor.

“A Força Aérea nasce deste mesmo dinamismo: olhar longe para proteger de perto, vigiar o alto para salvaguardar a vida em terra”, afirmou o prelado.

Num mundo marcado por “instabilidade geopolítica” e “conflitos armados”, D. Sérgio Dinis deixou um alerta sobre o uso da tecnologia e da força. O Bispo sublinhou que a competência técnica, embora indispensável, é insuficiente sem uma formação humanista sólida.

• Poder e Coração: “Quem detém poder, sobretudo poder tecnológico, precisa de um coração educado para o bem comum.”

• Amor vs. Medo: Refletindo sobre a Segunda Leitura (“Deus é amor”), recordou que a FAP não existe para intimidar, mas para proteger. “A força só é legítima quando protege o fraco”, reiterou, citando o espírito do Magnificat.

A celebração foi enriquecida pela participação ativa de vários setores da instituição. O Bispo dirigiu palavras de especial apreço aos oficiais, sargentos, praças e trabalhadores civis, lembrando que, tal como na Arca da Aliança, “ninguém cumpre a missão sozinho”.

A liturgia foi acompanhada pelo Coro da Academia da Força Aérea, contando ainda com a presença de uma Guarda de Honra e Escuteiros do Ar, que conferiram à cerimónia o devido rigor e solenidade.

No final da homilia a Força Aérea foi confiada à sua Padroeira, com uma prece especial por aqueles que voam, decidem e servem em silêncio, para que o céu continue a ser, sob a sua proteção, um “espaço de esperança e um sinal de paz”.