D. Andrés Carrascosa lembrou aos sacerdotes que foram «chamados e escolhidos», e «enviados a dar fruto e testemunho»

Lisboa, 31 mar 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal, o representante diplomático do Papa, presidiu hoje à Missa Crismal da Diocese das Forças Armadas e de Segurança, na igreja da Memória, a catedral do Ordinariato Castrense, em Lisboa.
“Peço a Deus que esta Missa Crismal reacenda em todos — pastores e fiéis — o ardor de sermos todos enviados numa missão. Que o perfume do Cristo, “o Ungido” se espalhe novamente por toda a Igreja, através do testemunho simples e fiel dos seus ministros e do seu povo, todos “ungidos-, todos “outros Cristos”, disse D. Andrés Carrascosa, na homilia da celebração, enviada à Agência ECCLESIA.
O núncio apostólico em Portugal dedicou umas palavras aos sacerdotes da Diocese das Forças Armadas e de Segurança, “neste dia especial”, e começou por assinalar que foram “chamados e escolhidos”, não foram eles a tomar a iniciativa, mas “foi o Senhor que olhou com amor e pronunciou” o seu nome.
“Todos lembramos que, na ordenação sacerdotal, as nossas mãos foram ungidas com o óleo do Santo Crisma. Elas tomaram-se instrumentos da graça, mãos que abençoam, que levantam, que perdoam, que repartem o Pão da vida”, acrescentou, tendo indicado que essas mãos dos sacerdotes “só permanecem santas se forem também mãos servas”.
O arcebispo espanhol salientou que “é o gesto de Cristo que continua no meio da Igreja”, quando tocam “as feridas dos pobres e dos doentes”, quando consagram o corpo e o sangue do Senhor, quando acolhem “o pecador que busca reconciliação”.
Na Missa Crismal do Ordinariato Castrense, participada pelos três ramos das Forças Armadas – Marinha, o Exército e a Força Aérea – e das Forças de Segurança, o núncio apostólico salientou ainda que são “enviados a dar fruto e testemunho”, após terem sido “ungidos e fortalecidos”, porque a unção lança-os “ao encontro do rebanho”.
“O padre não vive para si: o seu lugar é onde a vida clama por esperança, onde a fé precisa de ser reacendida. Neste nosso tempo, que vive de individualismo, pode chegar a nós a tentação do sucesso, conceito que não existe nos Evangelhos e na Bíblia somente aparece em Isaías: «o meu Servo prosperara e será exaltado» (Is 52, 13), mas refere-se à cruz”, desenvolveu D. Andrés Carrascosa.
“O fruto da nossa unção é a caridade pastoral, o testemunho de uma vida coerente com o Evangelho, a alegria serena de quem serve e ama sem medida. E isso faz bem não somente aos nossos irmãos católicos, mas a toda a humanidade.”
O representante do Papa em Portugal começou a sua homilia por agradecer o convite do bispo castrense, D. Sérgio Dinis, para presidir a esta Missa Crismal, com o clero que serve pastoralmente “os homens e mulheres que têm a nobre missão de servir o povo português defendendo a paz e a segurança dos cidadãos”.
Nesta celebração litúrgica que se realiza normalmente na Quinta-feira Santa, mas, em algumas dioceses é antecipada por motivos pastorais, são consagrados os óleos sagrados – dos Catecúmenos, da Unção dos Enfermos, do Crisma – e os padres renovam as promessas sacerdotais que fizeram no dia da sua ordenação sacerdotal, “celebração que simboliza a comunhão da Igreja com Cristo e entre seus membros e reforça a comunhão eclesial e a unidade do clero com seu bispo”, explicou o presidente da Missa Crismal.
O bispo da Diocese das Forças Armadas e de Segurança de Portugal, na introdução à Missa Crismal, agradeceu a presença do núncio apostólico, “sinal vivo da proximidade do Santo Padre, o Papa Leão XIV, e expressão concreta da unidade da Igreja”.
“A sua presença fortalece-nos, encoraja-nos e recorda-nos que, também no meio das exigências do serviço e da defesa da paz, somos chamados a ser sinais vivos da caridade de Cristo, que cura, consagra e envia. Bem-vindo entre nós. Deixe que quebre todos os cânones: esta é a sua casa”, disse D. Sérgio Dinis, na igreja da Memória, a catedral do Ordinariato Castrense onde esta “família espiritual se reúne em tomo do altar do Senhor”.
CB/OC