No âmbito das comemorações do 108.º aniversário da Batalha de La Lys e do Dia do Combatente, o Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança presidiu à Celebração Eucarística
BATALHA – O Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, vestiu-se hoje de solenidade para acolher as cerimónias evocativas do 108.º aniversário da Batalha de La Lys e as celebrações do Dia do Combatente. A cerimónia religiosa, presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, D. Sérgio Dinis, constituiu um dos momentos centrais do programa, unindo a memória histórica à esperança cristã.
A celebração contou com uma presença institucional de relevo, destacando-se o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, General João Cartaxo Alves, e o Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues, para além dos Chefes de Estado-Maior dos Ramos das Forças Armadas, o Presidente da Câmara Municipal da Batalha, Doutor André Sousa, e de diversas outras autoridades, Oficiais Generais, Dirigentes da Defesa Nacional e Capelães.
Acima de tudo, este foi um dia dedicado aos Antigos Combatentes — Oficiais, Sargentos, Praças e Civis — cujo sacrifício nunca será esquecido.
Neste dia tão significativo, partilhamos na íntegra a mensagem preparada por Sua Excelência Reverendíssima o Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, D. Sérgio Dinis, para a Eucaristia de sufrágio:
Mosteiro da Batalha, 9 de abril de 2026
Leitura I: At 3, 11-26
Evangelho: Lc 24, 35-48
Irmãos e irmãs,
«A paz esteja convosco.»
Esta saudação, que acabámos de ouvir dos lábios de Jesus Ressuscitado, não é um mero cumprimento, nem uma simples cortesia. É a primeira palavra que Cristo dirige aos seus discípulos depois de ter atravessado a morte — e ela ressoa hoje, de modo particular, nesta Igreja, neste dia, diante desta assembleia.
Há cento e oito anos, nas planícies lamacentas da Flandres, milhares de filhos desta terra de Santa Maria tombaram num dos dias mais sangrentos da nossa história. São Pedro, na primeira leitura, anuncia, no Pórtico de Salomão, a verdade que subverte toda a lógica humana: «Matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos.» O que parecia derrota definitiva tornou-se fundamento inabalável de esperança. É esta fé que nos permite olhar para os mortos de La Lys e de todas as batalhas sem desespero: eles não caíram no vazio — caíram nas mãos de Deus.
Hoje, no Dia Nacional do Combatente, a Liga dos Combatentes reúne-se para honrar não apenas os que tombaram, mas todos aqueles que, ao longo das gerações, serviram esta Pátria com o dom da sua vida. É um gesto de justiça e de gratidão — e é também um gesto pascal, porque afirma que o sacrifício tem sentido, que a entrega generosa não se dissolve no silêncio da história.
Vós, membros da Liga dos Combatentes, que guardais fielmente esta memória, realizais um ato profundamente cristão: não deixeis que os mortos morram duas vezes. Porque a segunda morte é o esquecimento.
Que o Senhor Ressuscitado acolha, na sua paz, todos os combatentes que partiram ao longo dos anos. E que nós sejamos, como nos pede o Evangelho, testemunhas de todas estas coisas.
Ámen.
† Sérgio Dinis,
Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal














