Nas celebrações do patrono do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o Bispo Castrense sublinhou que «a prontidão não se improvisa» e que nenhuma máquina substitui o juízo moral militar.

O Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa, acolheu este domingo, 8 de novembro, a celebração da Eucaristia que assinalou a Evocação do Condestável Nuno Álvares Pereira — São Nuno de Santa Maria —, excelso padroeiro do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA). A missa, transmitida em direto pela TVI para todo o país, foi presidida pelo Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, D. Sérgio Dinis.

Perante as mais altas chefias militares e diversas entidades civis, o prelado proferiu uma homilia intitulada «De lâmpadas acesas na noite do mundo», inspirada nas leituras do XXXII Domingo do Tempo Comum, na qual entrelaçou o exemplo de vida do Santo Condestável com as exigências e os desafios atuais das Forças Armadas Portuguesas.

Partindo da parábola evangélica das dez virgens e do azeite das lâmpadas, D. Sérgio Dinis enfatizou que a prontidão militar e a formação ética exigem tempo e continuidade. Evocando a recente diretriz da Visão Estratégica Militar 2026-2034, o Bispo Castrense lembrou que as Forças Armadas «não se improvisam nem se transformam em ciclos curtos».

«Numa época em que a técnica promete decidir mais depressa do que o homem, importa recordar que a pessoa humana é o fim, e nunca o meio, de toda a estratégia. Nenhuma máquina tem consciência. Nenhum cálculo substitui o juízo moral de quem responde pelos seus atos e reconhece no outro, mesmo no adversário, um rosto humano», declarou D. Sérgio Dinis.

O bispo recordou que a força de São Nuno de Santa Maria assentava na sabedoria de «se deixar conduzir por Deus», aliando a genialidade estratégica à oração e ao desprendimento pessoal em favor dos mais desfavorecidos.

«A sabedoria do militar cristão está em saber ser forte sem ser violento»

Num contexto internacional particularmente complexo, com o regresso do conflito armado ao continente europeu, D. Sérgio Dinis vincou que a paz «não é um sonho ingénuo», mas sim «um fruto sempre possível da justiça e da caridade».

Dirigindo-se a quem veste o uniforme, o prelado assinalou que quem serve com as armas «sabe, melhor do que ninguém, quanto custa a paz e quanto ela vale», sustentando que «a sabedoria do militar cristão está em saber ser forte sem ser violento, firme sem deixar de ser humano».

A solene Eucaristia contou com a presença de várias individualidades de relevo, entre as quais os presidentes dos órgãos autárquicos de Vila Viçosa, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e antigos Chefes do EMGFA, bem como os Chefes dos Estados-Maiores dos três ramos — Marinha, Exército e Força Aérea. Marcaram também presença deputados à Assembleia da República, representantes da Guarda Nacional Republicana (GNR), da Polícia de Segurança Pública (PSP), da Liga dos Combatentes e da Régia Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, além do Reitor do Santuário e dos Capelães Chefes dos respetivos ramos militares.

Na sua intervenção, D. Sérgio Dinis dirigiu também uma saudação particular aos doentes e idosos que acompanharam a celebração através da televisão, bem como a todos os militares portugueses integrados em Forças Nacionais Destacadas (FND) em várias missões internacionais pelo mundo.

As comemorações da Evocação de São Nuno de Santa Maria integraram um programa cultural e religioso ao longo de todo o fim de semana. As iniciativas tiveram início no sábado, 7 de novembro, com a inauguração de uma Exposição Infográfica no Cineteatro Florbela Espanca, ao final da tarde, seguida de um concerto da Banda Sinfónica do Exército na Igreja dos Agostinhos. O programa culminou hoje com a Celebração Eucarística em Vila Viçosa, terra umbilicalmente ligada à fundação da devoção à Padroeira de Portugal por ação do Santo Condestável.