O retiro anual dos capelães militares de Portugal decorreu na Domus Carmeli, em Fátima, culminando com uma Reunião Geral de trabalho.

Orientado pela Irmã Maria Julieta Dias, teóloga e especialista no Novo Testamento, o tempo de retiro espiritual focou-se no papel das mulheres no Cristianismo primitivo e na relação de Jesus com o Pai, com os outros e com a vida. Partindo da escuta profunda de Gálatas 2,20 — “Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim” — os participantes foram desafiados a renovar o seu compromisso de anúncio do Evangelho através de uma reflexão que confrontou a vida pessoal de cada sacerdote com a vida de Cristo.

Na abertura dos trabalhos, D. Sérgio Dinis deu as boas-vindas aos presentes, salientando que a eficácia de um retiro depende da humildade, da verdade e do silêncio interior. O prelado sublinhou que o isolamento do retiro não é um fechamento em si mesmo, mas um ato que insere o capelão no verdadeiro espírito eclesial, exigindo paciência consigo próprio e disponibilidade para ser tocado e mudado pela Palavra e pelos Sacramentos.

A reunião pastoral subsequente serviu para abordar questões práticas e estruturantes da assistência religiosa às Forças Armadas e às Forças de Segurança. Entre os pontos tratados, destacou-se a análise da planificação das atividades para o primeiro semestre, que inclui diversas celebrações de aniversários de comandos territoriais, visitas pastorais e as tradicionais peregrinações militares, tanto a nível nacional como internacional. Foi também discutida a preparação da Renúncia Quaresmal, a resposta a inquéritos solicitados pela Santa Sé e a organização da peregrinação militar a pé a Fátima, que contará com rotas a partir de Lisboa e de Coimbra.

No âmbito da visão estratégica para o futuro, o Bispo e os capelães debateram a criação de um plano pastoral para o próximo triénio. A sinodalidade foi apontada como o tema aglutinador, reforçando a necessidade de apostar na espiritualidade, na formação catequética de adultos e no acompanhamento das famílias e da juventude. Outro tema central foi a prevenção de abusos sexuais, tendo sido proposto o uso de instrumentos de prevenção da Igreja como um contributo valioso para as próprias instituições militares e de segurança.

Por fim, o Bispo abordou com rigor a preparação dos sacramentos, elogiando o brio e a dignidade das celebrações castrenses, mas apelando ao estrito cumprimento das normas canónicas. Foi reforçada a importância de assegurar que os fiéis estão devidamente preparados e autorizados pelos seus párocos quando não pertencem diretamente à jurisdição do Ordinariato. O prelado recordou que, embora a Igreja seja uma casa aberta a todos, o acompanhamento pastoral deve ser feito com discernimento, incentivando a regularização das situações de vida cristã.

A reunião terminou com um agradecimento mútuo. A Irmã Julieta Dias manifestou a sua alegria por conhecer uma realidade eclesial que lhe era estranha, elogiando a dignidade da liturgia castrense, tendo sido presenteada pelo Ordinariato como sinal de gratidão pelos seus ensinamentos.

A celebração da Eucaristia, que selou o ambiente de comunhão vivido ao longo de toda a semana, marcou o encerramento espiritual deste encontro em Fátima. Antes da partida, os capelães reuniram-se para a habitual fotografia oficial do grupo, imortalizando o momento de unidade entre os diversos ramos das Forças Armadas e de Segurança.

O evento terminou com um almoço de confraternização, que serviu de espaço para os últimos diálogos informais e para o reforço dos laços de fraternidade sacerdotal. Com as baterias renovadas e a agenda planeada, os capelães regressam levando consigo as diretrizes de D. Sérgio Dinis para uma pastoral mais próxima, sinodal e atenta aos desafios da vida militar.