O Hospital das Forças Armadas – Polo Lisboa acolheu esta quarta-feira, 12 de fevereiro, uma sessão evocativa do Dia Mundial do Doente, que se celebrou ontem. A iniciativa contou com uma palestra proferida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, que deixou uma reflexão profunda sobre o papel da compaixão nos cuidados de saúde.

Na mesa estiveram presentes o Brigadeiro-General Médico José Carlos Candeias Pinheiro Monge, Diretor do HFAR; o Coronel Médico Luís Manuel Monteiro Tátá, Diretor Clínico; o Chefe dos Enfermeiros, Tenente-Coronel Paulo Estragadinho; a Enfermeira Coordenadora, Major Carla Machado; bem como médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde. O Capelão do HFAR – Polo Lisboa, Pe. Joaquim Martins, acompanhou também a celebração.

“A compaixão como decisão profissional e humana” foi o ponto de partida da intervenção de D. Sérgio Dinis. Citando a parábola do Bom Samaritano e a mensagem do Papa para esta data, o Bispo Castrense sublinhou que a compaixão não é “fragilidade sentimental”, mas sim “uma virtude forte” e uma escolha diária: “É decidir, todos os dias, não passar ao largo. É olhar o doente nos olhos. É chamar pelo nome. É explicar com verdade, mas com delicadeza”.

“A técnica cura. Mas só a compaixão trata a pessoa inteira”, afirmou, recordando que a humanização dos cuidados passa também por proteger quem cuida: “Quando o ato médico se reduz a função, cresce o desgaste. Quando é vivido como encontro, mesmo no limite, ganha sentido”.

D. Sérgio Dinis destacou ainda a assistência espiritual como parte integrante do cuidado, lembrando que o ser humano é “unidade de corpo, mente e espírito”. Para muitos doentes, sublinhou, a pergunta decisiva não é “quanto tempo me resta?”, mas sim “que sentido tem isto?”. Nesse contexto, a presença da capelania militar é “resposta a uma dimensão real da pessoa”.

O prelado falou ainda da missão partilhada de cuidar, lembrando que “ninguém salva sozinho”, e deixou um apelo à proteção institucional de quem cuida: “Cuidar dos cuidadores é um dever institucional e uma exigência ética”.

Num hospital que acolhe muitos militares e veteranos, “homens e mulheres habituados a servir”, a mensagem final foi clara: “Eles protegeram outros. Agora precisam de ser protegidos. Ser profissional competente é indispensável. Ser profissional compassivo é decisivo.”

Após a palestra, D. Sérgio Dinis percorreu alguns serviços do hospital, numa visita informal mas profundamente sentida. O Bispo do Ordinariato Castrense esteve junto dos doentes internados, a quem dirigiu palavras de conforto e esperança, oferecendo a cada um uma flor — gesto simbólico que marcou o Dia Mundial do Doente e que lembra a delicadeza do cuidado que começa no olhar e na proximidade.

Acompanhado pelo Capelão do HFAR – Polo Lisboa, Pe. Joaquim Martins, e por elementos da direção clínica e de enfermagem, D. Sérgio Dinis fez questão de falar pessoalmente com vários doentes, ouvindo as suas histórias e agradecendo-lhes o testemunho. A muitos, recordou que “continuam a ser quem sempre foram — servidores da Pátria — e agora é a vez de serem servidos com a mesma dignidade com que serviram”.

A manhã no HFAR – Polo Lisboa ficou assim marcada por uma celebração que uniu a reflexão, o encontro e o gesto simples de uma flor: sinal de que, mesmo no ambiente clínico, a beleza e a ternura têm lugar próprio.

O Dia Mundial do Doente, instituído por São João Paulo II em 1992, celebra-se anualmente a 11 de fevereiro, dia de Nossa Senhora de Lourdes.