A Escola Prática de Polícia (EPP), em Torres Novas, foi palco ontem, dia 27 de maio, de uma celebração religiosa singular que uniu a fé e a missão policial. A Missa, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense, e concelebrada pelo Capelão Adjunto para a PSP, Pe. Luís Leal, ficou marcada pela bênção de 510 crachás dos agentes provisórios que hoje prestam o seu Compromisso de Honra, bem como pela administração dos sacramentos do Batismo a 14 catecúmenos e do Crisma a 62 fiéis.

A cerimónia contou com a presença do Diretor Nacional da Polícia de Segurança Pública, Superintendente-Chefe Luís Carrilho, e do Diretor da Escola Prática de Polícia, Superintendente Jorge Cabrita, acompanhados por oficiais, chefes, agentes, pessoal de apoio à atividade operacional e pelos alunos do Curso de Formação de Agentes.

Na sua homilia, D. Sérgio Dinis estabeleceu uma profunda ligação entre a vida sacramental e a vocação policial. Partindo da Carta de São Pedro, o prelado recordou que a verdadeira liberdade não se adquire “por coisas corruptíveis, como prata e ouro”, mas pelo Batismo, definido como “o enxerto da palavra eterna numa vida temporal”. Dirigindo-se aos que receberam o primeiro sacramento, afirmou ser “o começo de tudo”.

Sobre o Crisma, D. Sérgio Dinis destacou tratar-se da “maioridade espiritual”, o selo do Espírito Santo que transforma os crismandos em “testemunhas”, não de palavras, mas de uma vida vivida na fé. “Numa época em que a fé é tantas vezes reduzida ao privado, ao sentimental ou ao ocasional, a Confirmação é um ato de resistência espiritual: proclama que a fé é pública, é comprometida, é para o mundo”, sublinhou.

O ponto alto da homilia dirigiu-se aos futuros agentes. Perante os cerca de 500 formandos, o Bispo das Forças Armadas e de Segurança alertou para a tentação de reduzir a ética profissional a um mero “código exterior”. Inspirando-se no Evangelho de Marcos, onde Jesus afirma que “o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir”, D. Sérgio Dinis exortou os polícias a uma ética que “nasce por dentro”.

“O polícia verdadeiramente íntegro não é somente aquele que respeita a lei por medo da sanção. É aquele que, ao longo de toda a sua vida profissional, vai formando em si mesmo o carácter de quem serve: a justiça como morada permanente, a misericórdia como segunda natureza, a coragem como virtude conquistada, não apenas exibida”, declarou.

A celebração concluiu com uma invocação a São Miguel Arcanjo, patrono dos que velam pela segurança, para que cubra com a sua proteção todos os que iniciam uma vida ao serviço dos outros e inspire a integridade dos agentes que hoje receberam o crachá e fizeram o seu juramento de honra.