Comando Territorial de Beja celebrou 17 anos com Eucaristia solene presidida por D. Sérgio Dinis, que usou a imagem do oleiro para exortar os guardas a cuidarem da vida interior.
A Sé Catedral de Beja acolheu esta quinta-feira, 30 de julho, a missa de ação de graças pelo XVII aniversário do Comando Territorial de Beja da Guarda Nacional Republicana. A celebração foi presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, D. Sérgio Dinis, que na homilia recorreu à imagem bíblica do oleiro para convidar os militares a um permanente cuidado espiritual.
Perante uma assembleia que reuniu o comandante territorial, Coronel Paulo Gomes, o segundo-comandante, Tenente-Coronel Bruno de Carvalho, oficiais, sargentos, guardas e funcionários civis, o prelado partiu da passagem do profeta Jeremias para recordar que “Deus não manda ao templo nem ao palácio, mas à oficina simples onde mãos pacientes trabalham o barro”.
“O vaso que não sai bem não é deitado fora: é refeito. O oleiro recomeça, porque acredita no barro que tem nas mãos”, sublinhou D. Sérgio Dinis, acrescentando que “a nossa fragilidade não é obstáculo para Deus; é a porta por onde entra a sua graça”. Contudo, advertiu: “O barro só se deixa moldar enquanto está húmido e dócil. Quando seca, endurece, e aquilo que endurece já não pode ser refeito, apenas se quebra.”
Dirigindo-se diretamente aos militares da GNR, o bispo castrense alertou para o desgaste interior que a missão policial acarreta. “O contacto diário com o sofrimento, com a violência, com a mentira, com a morte nas estradas, vai deixando marcas que ninguém vê por baixo da farda. Quem não cuida da sua interioridade arrisca-se a endurecer: a tornar-se frio onde devia ser próximo, indiferente onde devia ser compassivo, amargo onde devia ser esperança.”
O apelo foi claro: “Não descureis a vossa vida interior. Voltai frequentemente à casa do oleiro. Procurai o silêncio, a oração, os sacramentos e o diálogo íntimo com Deus, para que Ele refaça em vós, todos os dias, aquilo que o serviço vai desgastando.”
D. Sérgio Dinis recordou ainda os 17 anos de história do Comando Territorial de Beja como “uma história moldada por mãos pacientes, feita de recomeços e de fidelidade quotidiana”, prestando homenagem a todos os que servem e serviram na instituição, “militares e civis, aqueles que estão diariamente na estrada e aqueles cujo trabalho permanece invisível”. O bispo teve também uma palavra de especial veneração para os que já faleceram “e serviram Portugal até ao fim”.
A liturgia foi animada pelo Grupo de Cante Alentejano da GNR, que emprestou à celebração o tom característico da terra que “sempre compreendeu bem a linguagem do barro como matéria de vida e de arte”, como frisou o prelado.
A Eucaristia foi concelebrada pelo pároco da Sé de Beja, Padre Hugo Gonçalves, e pelo Capelão Adjunto para a GNR, Padre Borges da Silva. No final, o Bispo Castrense confiou o futuro do Comando a Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Guarda, pedindo que “ensine a cada um a docilidade de quem regressa todos os dias à roda do oleiro, para que sejais, nesta terra e para este povo, vasos de justiça, de proximidade e de paz”.














