D. Sérgio Dinis comparou a instituição ao barro nas mãos do oleiro e exortou os polícias a deixarem-se moldar pela história e pelo serviço
O Comando Metropolitano do Porto da Polícia de Segurança Pública assinalou esta quinta-feira, 30 de julho, os seus 159 anos de existência com uma Eucaristia solene na Igreja Matriz de Matosinhos. A celebração foi presidida pelo Bispo da Diocese do Porto, D. Manuel Linda, e contou com a homilia do Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, D. Sérgio Dinis, que desafiou a corporação a manter-se fiel ao lema “Tudo por todos”.
Perante uma assembleia que reuniu o Diretor Nacional da PSP, Superintendente-chefe Luís Carrilho, o Comandante do Comando Metropolitano do Porto, Superintendente Victor Rodrigues, demais oficiais, chefes, agentes e pessoal técnico, além do pároco de Matosinhos, Padre Emanuel Brandão, e do Capelão Adjunto para a PSP, Padre Luís Leal, D. Sérgio Dinis partiu da imagem bíblica do oleiro para traçar um paralelo com a história da instituição.
“O barro é frágil. Mas a sua fragilidade não é um obstáculo para o oleiro; é precisamente a condição que torna possível a sua obra”, afirmou o prelado castrense, recordando que uma corporação com 159 anos “não chegou até hoje porque permaneceu intacta, mas porque soube deixar-se aperfeiçoar pelas exigências da história”.
Inspirando-se no Evangelho de São Mateus, D. Sérgio Dinis lançou a pergunta de Jesus – «Entendestes tudo isto?» – para sublinhar que “não basta ouvir a Palavra; é preciso entendê-la” e que “ficar na superfície é o primeiro passo para não servir para nada”. Aplicando a reflexão ao quotidiano policial, destacou que quem serve a segurança “encontra o melhor e o pior da condição humana, todos os dias, em cada rua deste Comando”, necessitando por isso de “sabedoria para discernir” e de “interioridade para não endurecer”.
O bispo fez ainda uma ligação direta ao lema da PSP – “Tudo por todos” –, afirmando que “é um lema que o próprio Jesus poderia assinar, porque foi essa a forma da sua existência: dar tudo por todos, até ao fim”. Recordou com gratidão todos os que servem e serviram no Comando Metropolitano do Porto, “os que estão na rua e os que estão nos serviços, os que aparecem e os que ninguém vê, os que deram a própria vida no cumprimento do dever”.
A homilia concluiu-se com a entrega dos 159 anos de história e dos vindouros à proteção de São Miguel Arcanjo, padroeiro da PSP, e de Nossa Senhora de Vandoma, padroeira da cidade do Porto, pedindo que “Deus continue a fazer dos frágeis servidores e dos servidores instrumentos da sua paz”.














