Lisboa, 16 de julho de 2026 — A Guarda Nacional Republicana (GNR) celebrou hoje o Dia de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira da instituição, numa cerimónia marcada pela devoção e por uma forte reflexão sobre o papel do discernimento humano na era tecnológica. As celebrações contaram com uma procissão e a celebração da Missa Solene na Basílica dos Mártires, em Lisboa.

As comemorações tiveram início com a procissão do andor de Nossa Senhora do Carmo, que partiu do Quartel do Carmo — sede do Comando-Geral da Guarda — em direção à Basílica de Nossa Senhora dos Mártires, onde foi celebrada a Eucaristia. No final da Santa Missa, a imagem regressou em procissão ao quartel.

A cerimónia foi presidida pelo Bispo Castrense, D. Sérgio Dinis, que na sua homilia destacou a vocação de quem serve na GNR, sintetizando-a no duplo olhar de “estar próximo e ver ao longe”.

“Também nas matérias de segurança, vigiar não é apenas reagir ao que já sucedeu; é estar suficientemente próximo das pessoas para sentir, por dentro, as suas dificuldades, e suficientemente atento para pressentir, no pequeno sinal, a tempestade ou a bonança que se aproxima”, sublinhou o prelado.

D. Sérgio Dinis recordou ainda o marco histórico que se assinala precisamente este ano: o 40.º aniversário da confirmação oficial de Nossa Senhora do Carmo como Padroeira da GNR pela Santa Sé, decretada a 26 de fevereiro de 1986 sob o pontificado de São João Paulo II, após o pedido do então Cardeal Patriarca e Vigário Castrense, D. António Ribeiro.

Num dos momentos mais marcantes da homilia, o Bispo Castrense abordou a “vertiginosa transformação tecnológica” que atualmente molda o quotidiano da Guarda, referindo-se ao uso de inteligência artificial, algoritmos de previsão e sistemas automatizados de vigilância.

O prelado alertou que, embora as máquinas multipliquem a capacidade de ver, “ver não é ainda discernir”.

A limitação da tecnologia: “Uma máquina regista padrões; não reconhece um rosto assustado, não sente o peso de uma decisão que pode ferir ou proteger uma vida, não chora com quem chora.”

O papel do guarda: “O guarda continuará insubstituível onde é preciso um coração atento e não apenas um sensor.”

Formação contínua: Foi defendida a necessidade urgente de uma formação humanista contínua que cultive o caráter, a inteligência e a consciência dos militares, a par da atualização dos equipamentos.

O ato solene contou com uma forte presença institucional e eclesiástica. Entre as entidades presentes, destacou-se o Comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana, Tenente-General Rui Veloso, acompanhado por Oficiais Generais, Oficiais, Sargentos, Guardas, Guardas Florestais, Trabalhadores Civis da GNR e as suas respetivas famílias.

No plano religioso, marcaram presença o Capelão Adjunto para a GNR, Padre Borges da Silva, e os Capelães Licínio Silva, António Santiago, José Carlos e Padre Bento.

A celebração encerrou-se com uma prece à Padroeira para que dê coragem a quem vigia e cubra com o seu manto todos os guardas do país, reafirmando os valores da liberdade e do serviço ao bem comum.