D. Sérgio Dinis presidiu à Missa campal no Centro de Formação da GNR, onde oito adultos foram batizados e 72 guardas receberam o Crisma
O Centro de Formação da Figueira da Foz transformou-se, na manhã de 31 de julho, num «verdadeiro Cenáculo». O Bispo do Ordinariato Castrense, D. Sérgio Dinis, presidiu à Eucaristia solene em que oito adultos do 58.º Curso de Formação de Guardas (CFG) desceram à água do Batismo e outros 72 militares foram ungidos com o óleo do Crisma, numa celebração campal erguida junto à capela do quartel-escola da Guarda Nacional Republicana.
Na homilia, o prelado recorreu ao relato do Pentecostes para situar o momento que ali se vivia. «Esta Escola, onde se aprende a servir Portugal e a proteger a vida dos portugueses, torna-se, nesta hora, um verdadeiro Cenáculo, casa visitada pelo sopro de Deus», afirmou, lembrando que «o Espírito não espera que sejamos fortes para vir ao nosso encontro; vem precisamente para nos tornar fortes».
Aos que iam receber o primeiro sacramento, D. Sérgio Dinis recordou que «a água do Batismo não é um simples rito de purificação; é sacramento de união com Cristo». Explicou que quem desce a essa água «é sepultado com Cristo na sua morte, para com Ele ressuscitar para uma vida nova», e sublinhou o caráter irrevogável do Batismo: «Deus não retira a palavra que dá».
Aos 72 crismandos — a larga maioria dos formandos presentes — o bispo pediu que não vissem a Confirmação como uma despedida da catequese, mas como «o sacramento do começo, o nosso Pentecostes pessoal». «O Espírito que ides receber é o mesmo que desceu sobre os Apóstolos naquela manhã de Jerusalém. É a mesma chama, a mesma força, o mesmo fogo», declarou, acrescentando que os dons são distribuídos «para o bem comum» e não para uso privado: «Numa Escola onde se formam homens e mulheres que juraram proteger os outros, esta palavra soa como em casa própria».
O Evangelho de São João guiou a última parte da reflexão. Jesus Ressuscitado atravessa as portas fechadas e diz «A paz esteja convosco». Para o bispo castrense, esta paz «não é um sentimento, é uma missão que se serve todos os dias, muitas vezes com sacrifício». Aos novos batizados e crismados deixou uma vocação dupla: «Sereis guardas duas vezes: guardas da segurança de Portugal e guardas da paz que vem de Deus, testemunhas suas no quartel e na família, na estrada e no posto».
Antes da saudação final, D. Sérgio Dinis confiou os recém-iniciados à proteção de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira da GNR, lembrando que no primeiro Cenáculo os Apóstolos esperavam o Espírito «em oração com Maria».
A cerimónia reuniu inúmeras autoridades civis e militares, que o bispo fez questão de nomear na própria homilia. Destacou a presença do Major-General Nuno Miguel Parreira da Silva, Comandante da Escola da Guarda, «sinal eloquente de quem reconhece que este passo pertence ao que nos homens e mulheres da GNR há de mais profundo». Saudou igualmente o Coronel Pedro Miguel Rico Ramalho, Comandante do Centro de Formação, «que abriu as portas desta casa a este momento, mostrando que uma casa de formação se compreende a si mesma como lugar onde o homem inteiro é edificado». Uma palavra de particular gratidão foi dirigida ao Capelão do Centro, Padre António Santiago, «que, com paciência de semeador, acompanhou passo a passo os nossos catecúmenos e crismandos».
Marcaram ainda presença a Vice-Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Dra. Olga Brás, o Presidente da Assembleia Municipal, Eng. José Duarte Pereira, o Presidente da Junta de Freguesia de São Julião, Dr. Manuel Rascão Marques, e comandantes e representantes da GNR, da PSP e dos bombeiros voluntários e sapadores do concelho. A celebração, vivida ao ar livre, sublinhou a ligação entre a fé professada e o serviço que aqueles guardas em breve prestarão ao país.




















