D. Sérgio Dinis presidiu à missa de Quarta-feira de Cinzas na Sé Catedral das Forças Armadas e de Segurança, exortando à autenticidade da fé e à coerência de vida num “tempo favorável” de graça e reconciliação.

Lisboa, 18 de fevereiro de 2026 – A Igreja da Memória, Sé Catedral do Ordinariato Castrense de Portugal (Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança), acolheu esta quarta-feira a missa de Cinzas que assinala o início da Quaresma. A cerimónia foi presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense, D. Sérgio Dinis, que na homilia deixou um forte apelo à interioridade e à autenticidade, desafiando os fiéis a um caminho de “conversão à Verdade”.

Perante uma assembleia onde marcaram presença militares e trabalhadores civis da Defesa Nacional, D. Sérgio Dinis tomou como ponto de partida as leituras do dia – do profeta Joel, de São Paulo e do Evangelho segundo São Mateus – para sublinhar a urgência de um regresso sincero a Deus. “A Igreja inicia hoje a Quaresma. E a Palavra que escutámos não deixa espaço para equívocos nem para adiamentos: ‘Convertei-vos a Mim de todo o coração'”, afirmou.

Na sua reflexão, o Bispo Castrense alertou para os perigos de uma vivência superficial da fé, desprovida de verdadeiro significado interior. Citando o profeta Joel, recordou: “Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos”. “Deus não quer gestos exteriores que tranquilizem a consciência. Quer verdade. Quer um coração que se deixe tocar. Quer um regresso sincero”, sublinhou.

D. Sérgio Dinis estruturou a sua homilia em torno do conceito de verdade, alicerçado na passagem bíblica “A verdade vos libertará” (Jo 8,32). Uma verdade que, explicou, “não é uma ideia abstrata” mas que se traduz em “fidelidade, coerência entre o que somos, o que dizemos e o que fazemos”. Por isso, propôs um caminho quaresmal assente em três pilares:

1. A verdade em nós mesmos: “Ter coragem de olhar para a própria vida sem máscaras. Fazer silêncio. Escutar”, ecoando as palavras do Papa Francisco que recorda a Quaresma como “tempo de escuta” de Deus, dos pobres e da realidade.

2. A verdade na palavra: Num contexto social onde “as palavras ferem com facilidade”, o prelado convidou a um “jejum da língua”. “A mentira destrói relações. A verdade, quando vivida com caridade, constrói confiança”, afirmou.

3. A verdade no agir: Exortou a uma conduta de “reta consciência” que se aplica a todos os âmbitos da vida, incluindo o exercício de responsabilidades públicas, civis ou militares. “A autoridade só é legítima quando está enraizada na verdade e ordenada ao bem comum. A legalidade, sem moralidade, pode tornar-se um formalismo vazio”, advertiu.

O momento da imposição das cinzas foi enquadrado pelo Bispo não como uma ameaça, mas como um “gesto de lucidez” que recorda a fragilidade humana e a necessidade de Deus. “As cinzas não humilham. Libertam. Libertam-nos da ilusão de autossuficiência. Libertam-nos da mentira de que tudo depende de nós”, declarou.

A concluir, D. Sérgio Dinis deixou um vibrante apelo à vivência plena deste tempo litúrgico: “Não desperdicemos esta graça. Não recebamos em vão a graça de Deus, como nos adverte São Paulo. (…) Que esta Quaresma, vivida na Igreja da Memória, nos ajude a recordar o essencial: sem verdade não há liberdade; sem conversão não há paz; sem Deus não há salvação.”

Na cerimónia estiveram presentes diversas individualidades, entre as quais o Diretor dos Recursos Humanos da Defesa Nacional, Major-General Rui Tendeiro; o Diretor de Armamento e Património da Defesa Nacional, Doutor António Baptista; e o Subdiretor dos Recursos Humanos da Defesa Nacional, Doutor Pedro Vieira, juntamente com outros militares e trabalhadores civis.

A celebração eucarística foi concelebrada pelo Pe. Diamantino Teixeira, Vigário Geral Castrense; pelo Pe. António Borges da Silva, Capelão Adjunto para a Guarda Nacional Republicana e Reitor da Memória; pelo Pe. Leonel Castro, Capelão Adjunto para a Força Aérea; e pelo Pe. Joaquim Martins, Capelão do HFAR – Polo Lisboa. O serviço de acolitado esteve a cargo dos acólitos do Ordinariato Castrense.