A Igreja de Santa Catarina da Sena, em Magnanapoli (Roma), acolheu esta tarde, dia 7 de março, uma Celebração Eucarística inserida nas comemorações do centenário do Ordinariato Militar para a Itália. A homilia foi proferida por D. Gian Franco Saba, Arcebispo do Ordinariato Militar para a Itália, numa cerimónia que contou com a presença de D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, e de vários bispos de ordinariatos militares de todo o mundo.
A celebração, que marcou a reabertura da igreja após obras de restauro, teve início com o rito de abertura da Porta Santa, uma vez que este templo jubilar se insere nas comemorações do centenário. O espaço sagrado, que acolhe uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, foi palco de uma reflexão profunda sobre o sentido do serviço, da paciência e da fraternidade universal.
Numa homilia rica em simbolismo e atualidade, D. Gian Franco Saba deixou uma “mensagem de fé, de esperança, com transparência e proteção” a todos os presentes, sublinhando a importância de celebrar em conjunto e não separados.
“Quando se está separado uns dos outros pode haver a tentação da inveja, da discórdia, do sentimento de superioridade, mesmo religiosa; quando se faz festa em conjunto, todos são acolhidos” , afirmou o Arcebispo, destacando que há um Pai que é garante dessa festa da humanidade.
O prelado italiano convidou os fiéis a invocar o amor do Pai, revelado através de Jesus e tornado vivo pelo Espírito Santo, pedindo que Ele faça arder no coração de todos “o desejo da festa, da festa de todos juntos”.
D. Gian Franco Saba alertou para a dificuldade dos tempos atuais, onde, nos diálogos humanos e nas relações interpessoais, a paciência e a esperança muitas vezes não têm espaço. No entanto, lembrou que estas virtudes são “um dom da graça de Deus” , fundamentais para ativar e sustentar “os longos tempos da preparação da paz, os longos tempos para conservar a paz” .
O Arcebispo sublinhou a necessidade de fazer ressoar nos corações a palavra que o Evangelista nos entrega: “começar a fazer festa” . Recordando o Papa Francisco, afirmou que a Igreja deve saber alegrar-se com os frutos recebidos do passado, não como administradores desonestos, mas como “administradores fiéis, dedicados a fazê-los frutificar” .
Na sua reflexão, o Arcebispo destacou a especificidade do ministério dos capelães militares, mais marcado pela mobilidade do que pela estacionariedade. Contrapondo a imagem da cátedra – sinal visível da unidade – com o faldistório, a cadeira sem encosto, concebida como ágil e aberta ao encontro, D. Gian Franco Saba traçou o perfil do capelão:
“Hoje não é o faldistório, serão os carros, serão os aviões, serão outros instrumentos de movimento e de mobilidade que levam a estar sempre presente no terreno, ou seja, sempre presente nas veias da história.”
A homilia inspirou-se também na figura de Santa Catarina de Sena, a quem a igreja é dedicada, como padroeira da reconciliação e da paz. O Arcebispo recordou que a santa viajou para falar com Papas, cardeais e príncipes, e que o Senhor fez dela uma apóstola.
“É nela que queremos inspirar-nos para que nos tornemos apóstolos e embaixadores do Evangelho da paz” , concluiu, pedindo que Santa Catarina acolha e acompanhe todos para que sejam “educadores de uma humanidade aberta, não hostil entre si, mas ao serviço uns dos outros” .
A Celebração Eucarística desta tarde constituiu mais um momento alto das comemorações do centenário, que prosseguem ao longo do fim de semana, reunindo Ordinariatos Militares de diversos países num espírito de comunhão e fraternidade. Amanhã, domingo, dia 8 de março, será celebrada uma Missa na Basílica de Santa Maria in Ara Coeli, que será transmitida pela RAI Uno.








