O Papa Leão XIV recebeu esta manhã, na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano, os participantes nas celebrações do centenário do Ordinariato Militar para a Itália. Na audiência especial, que contou com a presença de bispos de vários países, incluindo D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, o Santo Padre deixou uma forte mensagem de encorajamento e reflexão sobre o papel dos capelães militares e a missão da Igreja junto das Forças Armadas.
Perante uma plateia que incluía bispos dos Estados Unidos, Canadá, Quénia, Ucrânia e Jugoslávia, o Papa começou por dirigir “calorosas boas-vindas” a todos, encorajando “a continuar e a aprofundar o diálogo e a colaboração entre os vários ordinariatos espalhados pelo mundo”.
Leão XIV sublinhou que o lema “Inter arma caritas” (Caridade entre as armas) deve guiar este caminho, recordando que o centenário é um evento que “guarda memória, atualidade e profecia”. Numa reflexão sobre os tempos atuais, o Papa alertou para o risco de a sociedade “perder o sentido da memória”, sublinhando que, para a Igreja, esta não é nostalgia, mas sim “a raiz que gera profecia”.
“O vosso serviço é um ato de amor para com o país, para com os territórios e, sobretudo, para com as pessoas”, afirmou o Pontífice, dirigindo-se diretamente aos capelães militares. O Papa descreveu a ação destes sacerdotes como um trabalho muitas vezes feito no silêncio, presente nos voos de paz, em contextos de conflito e nas academias militares, onde o cuidado do rebanho se manifesta através do testemunho.
Numa perspetiva de futuro, o Papa destacou a importância dos contextos formativos, como academias e escolas, lugares “onde se forjam as consciências”. Foi perante este cenário que Leão XIV proferiu a frase que serviu de título a esta notícia:
“A vossa ação espiritual contribui, assim, para a promoção do bem comum e da paz social – fruto, como recordava o Papa Francisco, de um paciente trabalho artesanal que requer formação, justiça e caridade.”
Citando o Concílio Vaticano II e a Constituição Gaudium et Spes, o Papa enquadrou a missão do militar cristão: “defender os débeis, tutelar a convivência pacífica, intervir nas calamidades, operar nas missões internacionais para guardar a paz e restabelecer a ordem”. Para Leão XIV, esta identidade não se reduz a uma mera profissão, mas configura-se como “vocação, resposta a um chamamento que interpela a consciência”.
O Santo Padre concluiu a sua intervenção invocando a intercessão de Maria, Rainha da Paz, abençoando todos os presentes e encorajando os projetos futuros do Ordinariato, em particular o centro de altos estudos para a assistência espiritual, destinado a refletir sobre os desafios do mundo moderno.
Após a audiência na Sala Clementina, o programa do centenário prossegue este sábado com um momento de fraternidade e, pelas 17h00, com uma Missa de reabertura da igreja de Santa Catarina da Siena, em Magnanapoli. No domingo, dia 8 de março, será celebrada uma Missa na Basílica de Santa Maria in Ara Coeli, que será transmitida pela RAI Uno.






