A homília de D. Sérgio Dinis desafiou os presentes a um “coração disponível” para acolher Deus, num momento em que a Igreja se aproxima da Páscoa

Mafra, 25 de março de 2026 – A Comunhão Pascal foi celebrada na tarde de ontem, dia 25 de março, na Escola das Armas, em Mafra, numa cerimónia presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, D. Sérgio Dinis. A celebração contou com a presença de entidades militares, autárquicas e religiosas, marcando um momento forte de reflexão no decurso do tempo quaresmal.
Na homília, D. Sérgio Dinis centrou a sua reflexão nas leituras bíblicas do dia, destacando o episódio da Anunciação como o “momento decisivo da história da salvação”. O prelado sublinhou que Deus, ao enviar o anjo a Maria, não Se impõe pela força, mas “pede entrada na liberdade humana”.
“A primeira leitura mostra-nos um coração fechado: Acaz recusa pedir um sinal, não por humildade, mas por falta de confiança, revelando a tentação permanente de querer controlar tudo e de não arriscar depender de Deus”, alertou o bispo. Em contraponto, referiu que Deus não desiste e oferece o sinal de Emanuel, “não de poder, mas de presença”.
Dirigindo-se aos militares e demais presentes, D. Sérgio Dinis afirmou que “também nós vivemos de decisões, muitas vezes em contextos exigentes, onde nem tudo é claro e onde a tentação de fechar-nos, adiar ou controlar permanece forte”. A partir do exemplo de Maria, que concebeu primeiro no coração antes de conceber no corpo, o bispo desafiou os presentes a cultivarem um “coração disponível, capaz de dizer ‘Eis-me aqui’”.
“Mais do que competência ou rigor, é necessário um coração disponível, capaz de dizer ‘Eis-me aqui’. É nesse espaço interior que Deus continua a entrar, não impondo, mas esperando; não forçando, mas confiando na nossa liberdade”, concluiu, deixando um apelo à confiança no caminho rumo à Páscoa.
A celebração contou com a presença do Comandante da Escola das Armas, Brigadeiro-General Marques Avelar, de representantes da Câmara Municipal de Mafra, do Núcleo dos Combatentes de Mafra, do Clube Militar de Oficiais, da Guarda Nacional Republicana, dos Bombeiros Voluntários, da Santa Casa da Misericórdia, da Escola Técnica e Profissional de Mafra, da Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra, e de capelães militares, incluindo o Padre Luís Morouço, Capelão Adjunto para o Exército, e o Padre José Costa, capelão da Escola das Armas.





