O Bispo das Forças Armadas e de Segurança presidiu à celebração de Natal no Estabelecimento Prisional Militar, deixando uma mensagem de esperança e reconstrução aos reclusos e militares presentes.
Ontem, dia 22 de dezembro, o Estabelecimento Prisional Militar (EPM) de Tomar foi palco de uma celebração de Natal marcante, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal. Num ambiente de recolhimento e espiritualidade, a cerimónia sublinhou que a dignidade humana prevalece sobre o erro e que o Natal encontra o seu sentido mais profundo precisamente nas periferias da fragilidade.
Na homilia, D. Sérgio Dinis rejeitou a ideia de que celebrar o Natal num presídio seja um paradoxo. Pelo contrário, afirmou ser este um dos lugares onde a festa cristã revela a sua maior verdade.
Baseando-se nas figuras bíblicas de Ana e Maria, o prelado destacou que a gratidão e a confiança em Deus permitem abrir “um futuro novo”, mesmo quando o passado foi marcado pela dor ou pela humilhação.
O Bispo dirigiu-se de forma direta aos presentes, enfatizando uma visão humanista da justiça:
“A queda não tem de ser a última palavra da história. A justiça, para ser verdadeiramente humana, não pode limitar-se a punir; deve abrir caminhos de reparação, de responsabilidade assumida e de reconciliação.”
D. Sérgio Dinis criticou ainda o Natal “barulhento e de consumo” do mundo exterior, que muitas vezes ignora as guerras e a exclusão, contrapondo-o à sobriedade do presídio, onde o essencial se torna visível: “Deus não pergunta primeiro pelo passado; olha para o presente e abre um futuro.”
A celebração contou com a presença de altas individualidades militares e religiosas, reforçando o apoio institucional à missão do EPM de Tomar. Entre os presentes destacaram-se:
• Brigadeiro-General Miguel Silva, Diretor do Serviço de Pessoal do Exército;
• Tenente-coronel Oliveira Capitulino, Comandante do Estabelecimento Prisional Militar;
• O corpo de capelães, representado pelo Padre Luís Morouço (Capelão-Adjunto para o Exército), Padre Benjamim Sousa e Silva (HFAR – Porto) e Padre Santiago (GNR);
• Representantes da Conferência de São Vicente Maximiliano Kolbe, cujo apoio social é fundamental na assistência aos reclusos.
No final D. Sérgio Dinis, agradeceu a todos os que contribuíram para a dignidade da liturgia, deixando no Estabelecimento Prisional Militar um renovado sentido de esperança e o apelo a que cada um “não desista de si próprio”.




