A Basílica de Santa Maria in Aracoeli, em Roma, acolheu este domingo, dia 8 de março, a missa de encerramento das celebrações do Centenário do Ordinariato Militar para a Itália. A celebração, transmitida em direto pela RAI 1 pelas 11h00, foi presidida por D. Gian Franco Saba, Arcebispo do Ordinariato Militar para a Itália, e contou com a presença de diversas entidades civis e militares, bem como de bispos de ordinariatos militares de vários países, incluindo D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal.
Entre as autoridades presentes na cerimónia, destacaram-se o Ministro da Defesa de Itália, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Itália (CEMGFA), bem como distintas autoridades governamentais e militares de todas as ordens e graus. A assembleia litúrgica reuniu ainda ordinários militares vindos de toda a nação, capelães e fiéis.
Na homilia, D. Gian Franco Saba desenvolveu uma reflexão a partir do Evangelho do terceiro domingo da Quaresma, o encontro de Jesus com a mulher samaritana. O Arcebispo sublinhou que Jesus, no seu caminho da Judeia para a Galileia, não evitou a Samaria, região hostil aos judeus, derrubando assim fronteiras para ir ao encontro de quem era considerado adversário.
“A sua missão, de facto, é a de derrubar as fronteiras para encontrar quem é considerado adversário e inimigo. O caminho de Jesus é como uma ponte — para usar uma bela expressão do Papa Leão XIV — em direção à humanidade”, afirmou.
D. Gian Franco Saba deteve-se em três etapas deste percurso: o poço, a sede das perguntas do coração e a cidade.
O prelado descreveu o poço como o lugar onde Jesus, cansado e sedento, aguarda e encontra a mulher samaritana, que ali se dirige ao meio-dia, hora incomum, talvez movida pela vergonha ou pelo desejo de se esconder do julgamento alheio. Foi precisamente ali que se deu o encontro entre Deus e a humanidade.
“A pedagogia espiritual do Ordinariato Militar, que celebra o seu primeiro centenário, deseja inspirar-se no estilo de Jesus no poço. Ali colocado, onde existem condições adversas para a convivência humana e social. Ali, onde ninguém estaria, ali onde há quem fuja de perigos externos e interiores, de julgamentos e dramas existenciais. Ali é preciso deter-se, aguardar. É o estilo das sentinelas vigilantes: não para armar emboscadas ou para afundar o outro, mas para favorecer o encontro entre Deus e a humanidade, e dos homens entre si”, sublinhou.
O Arcebispo recordou que, no lugar do cansaço e do medo mútuo, surge a pergunta de Jesus: “Dá-me de beber”. Através deste pedido, Deus mostra-se necessitado e inicia um diálogo que vai ao encontro da verdadeira sede da mulher: ser olhada com novos olhos e sentir-se amada.
“No nosso caminho, podemos confiar na nossa força de vontade e no facto de que devemos conseguir sozinhos. Mas os nossos meios nem sempre bastam para satisfazer a sede que temos no coração. O verdadeiro poço que toca as profundezas do mistério da vida e que dá a água que dessedenta é o Verbo de Deus, Jesus Cristo”, acrescentou.
D. Gian Franco Saba destacou que a Igreja Castrense pretende ser lugar de acolhimento, onde cada um se sinta olhado e amado com os olhos de Jesus, encorajada pelo recente encontro com o Papa Leão XIV. Definiu esta como uma missão de fronteira, marcada pelas tensões das zonas de guerra e pelas que habitam o coração humano.
“Presentes, sempre presentes, nunca ausentes, sem fugir dos lugares complexos e difíceis”, afirmou, dirigindo-se aos capelães militares.
A mulher samaritana, depois do encontro com Jesus, corre em direção à cidade para contar a todos o que descobriu. “Fez a Páscoa; viveu a sua passagem da morte para a vida inteira”, disse o Arcebispo, convidando os presentes a testemunhar como o encontro com o Ressuscitado mudou as suas existências.
“Para o fazer, é necessária uma nova paixão educativa e pedagógica, também na nossa ação apostólica, na assistência espiritual nos articulados mundos da Defesa, que suscite itinerários de encontro com Cristo”, acrescentou.
No dia em que se assinala o Dia Internacional da Mulher, D. Gian Franco Saba dirigiu um pensamento especial às mulheres que servem no mundo da Defesa, bem como às famílias dos militares, esposas e mães que apoiam a ação dos militares.
No final da celebração, D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, ofereceu uma Cruz do Ordinariato Castrense de Portugal a D. Gian Franco Saba, Arcebispo do Ordinariato Militar para a Itália, num gesto simbólico de fraternidade e comunhão entre as duas realidades eclesiais ao serviço das Forças Armadas.
A missa de encerramento constituiu o momento alto das comemorações do centenário, que ao longo do fim de semana reuniram em Roma ordinariatos militares de diversos países num espírito de comunhão e partilha.




