PORTO – A histórica Igreja dos Carmelitas, no Porto, acolheu no passado dia 19 de dezembro a celebração da Missa de Natal do Comando Territorial da GNR do Porto. A cerimónia, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, reuniu militares e civis num momento de reflexão sobre o verdadeiro sentido da quadra, marcado por um forte apelo à integridade e ao serviço público.
A celebração contou com a presença do Comandante do Comando Territorial da GNR do Porto, Coronel Paulo Serra, acompanhado por oficiais, sargentos, guardas, guardas florestais e trabalhadores civis, bem como pelas suas respetivas famílias. No plano litúrgico, o Bispo foi coadjuvado pelo Capelão-Adjunto para a GNR, Padre António Borges da Silva, e pelo Capelão do Comando, Padre Paulo Silva.
Durante a homilia, D. Sérgio Dinis contrastou o brilho das luzes da cidade com a “esterilidade” e o “silêncio” das passagens bíblicas lidas (Juízes e Evangelho segundo São Lucas). O prelado alertou para o perigo de um Natal transformado em mero consumo e formalismo.
“O brilho exterior serve, tantas vezes, apenas para disfarçar uma realidade profundamente ferida”, afirmou o Bispo, citando as preocupações do Papa Francisco sobre as guerras e a indiferença que marcam a atualidade. “Se tirarmos Jesus do Natal, o que fica é uma festa vazia.”
Dirigindo-se especificamente aos militares presentes, D. Sérgio Dinis sublinhou que servir na Guarda Nacional Republicana transcende o cumprimento de funções técnicas. Para o Bispo do Ordinariato Castrense, ser guarda é assumir uma “vocação de serviço ao bem comum”.
• Proximidade: A presença da GNR deve ser um sinal de firmeza justa e humanidade.
• Ética sobre a Força: O Bispo enfatizou que a segurança oferecida pela instituição não deve nascer apenas da lei ou da força, mas da ética e do respeito incondicional pela dignidade humana.
• Integridade: Foi feito um apelo direto à recusa de tudo o que possa comprometer a verdade, a honra e a confiança depositada na instituição.
A fechar a sua intervenção, D. Sérgio Dinis desejou que este Natal funcione como um “recomeço”, instando os presentes a olhar para o próximo como um irmão e não como um rival. O desafio deixado foi o de transformar a “ternura do presépio” em ações concretas na vida diária e profissional de cada militar ao serviço de Portugal.














