Dia Internacional do Enfermeiro | 12 de maio de 2026
Aos enfermeiros e enfermeiras das Forças Armadas e Forças de Segurança.
Neste dia em que o mundo faz memória de Florence Nightingale e, com ela, de todos quantos escolheram fazer do cuidado ao próximo a forma mais nobre de habitar a existência, dirijo-me a vós, enfermeiros e enfermeiras das Forças Armadas e Forças de Segurança, com o coração cheio de gratidão. A vossa vocação é uma expressão de amor exigente, fiel e, tantas vezes, silencioso; serviço nem sempre reconhecido, nem justamente recompensado.
Tendes nas mãos algo que nenhuma tecnologia poderá substituir: a capacidade de estar. Estar junto de quem sofre, de quem teme, de quem estende os braços à procura de um rosto amigo na hora mais difícil. O Papa Francisco chamou-vos «guardiões e servidores da vida» e reconheceu em vós, que estais, pela vossa dedicação no dia a dia, os «santos da porta ao lado» — imagem daquela Igreja que dá continuidade à missão de Jesus Cristo, que se aproximou de quem sofria e dobrou os joelhos para lavar os pés dos seus discípulos. É o reconhecimento da grandeza escondida no gesto simples de quem cuida.
Nas Forças de Segurança e Forças Armadas, a vossa vocação e missão tem uma dimensão singular: cuidais de homens e mulheres que colocaram o corpo e a alma ao serviço da Pátria, que carregam não apenas as feridas visíveis, mas também aquelas que o tempo demora a revelar. O vosso olhar atento e o vosso coração sensível sabem ler aquilo que as palavras não conseguem dizer. A vossa presença é, muitas vezes, o primeiro sinal de que o mundo continua a cuidar e de que ninguém está verdadeiramente só.
Não ignoro o cansaço que carregais, as noites longas, as decisões difíceis, as despedidas que permanecem gravadas na memória. Precisamente por isso, quero que saibais que a vossa entrega não é ignorada por Deus. Ele conhece cada gesto de ternura oferecido no silêncio, cada palavra que confortou na hora de amargura, cada mão que segura quando a mão do outro já está a ficar fria, quando os vossos dedos cerraram os olhos de quem deu o último suspiro. O Papa Leão XIV rezou por vós com palavras que hoje faço minhas: «Abençoa as mãos de médicos, enfermeiros e cuidadores, para que o seu trabalho seja sempre expressão de compaixão ativa. Que o teu Espírito os ilumine em cada decisão difícil e lhes conceda paciência e ternura para servirem com dignidade.»
Que este dia seja, para cada um de vós, um momento de justo e merecido reconhecimento. Que a dignidade do vosso trabalho seja celebrada não apenas hoje, mas em cada amanhecer em que regressais ao vosso posto. E que nunca vos falte a convicção de que, ao cuidardes dos que sofrem, sois imagem viva d’Aquele que veio não para ser servido, mas para servir.
Com estima e bênção pastoral,
† Sérgio Dinis
Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal
