Bispo do Ordinariato Castrense desafiou fuzileiros a serem “homens do Espírito” e a edificarem a sua identidade “sobre a rocha viva de Cristo Ressuscitado”

Lisboa, 13 de abril de 2026 – O Corpo de Fuzileiros celebrou esta manhã o seu 405.º aniversário com uma missa presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, na Base Naval de Lisboa. Na homilia, o prelado evocou a história da mais antiga força militar permanente portuguesa, nascida “junto ao Tejo”, e desafiou os fuzileiros a encontrarem no Espírito Santo a fonte última da sua coragem.
“Há quatrocentos e cinco anos nascia, junto ao Tejo, a mais antiga força militar permanente de Portugal. Aqueles primeiros homens, então chamados ‘Marinheiros do Fuzil’, fizeram do mar a sua casa e do combate o seu destino”, recordou D. Sérgio Dinis, sublinhando que a Igreja se une a esta memória “não para exaltar a glória dos homens, mas para reconhecer, na trama desta história, a presença fiel de Deus”.
Tomando como base as leituras bíblicas do dia (At 4, 23-31 e Jo 3, 1-8), o bispo castrense estabeleceu um paralelo entre a missão dos fuzileiros e o testemunho dos apóstolos Pedro e João, que, depois de saírem da prisão, “não fogem, não se rendem, não negociam a sua fé por um pouco de segurança” e pedem a Deus “ousadia” para anunciar a palavra.
“Fuzileiros, esta cena não vos é estranha. Sois preparados para estar sob pressão, agir sob ameaça e manter a firmeza quando tudo parece conjurar contra vós”, afirmou. Contudo, alertou: “O Evangelho desta manhã convida-vos a ir mais longe. Convida-vos a interrogar a fonte da vossa coragem.”
D. Sérgio Dinis recordou ainda a passagem de Nicodemos, que vai ter com Jesus “de noite”, e sublinhou que cada batizado “nasceu uma segunda vez nas águas do Batismo”, tornando-se “filho de Deus e herdeiro de um Reino que não passa”.
“Ser Fuzileiro é uma vocação nobre”, reconheceu o bispo, enumerando os teatros de operações onde os fuzileiros portugueses serviram ao longo de quatro séculos: Brasil, Mediterrâneo, África, Balcãs, Afeganistão, Timor e Lituânia. “Esse serviço tem um nome evangélico. Chama-se caridade, chama-se amor que se entrega, chama-se Cristo que dá a vida pelos seus.”
No final da homilia, o prelado deixou um apelo: “A Igreja pede-vos hoje algo mais do que competência técnica e bravura operacional. Pede-vos que sejais, como os primeiros discípulos, homens do Espírito. Homens que não cedam à tentação de construir a sua identidade apenas sobre a força dos músculos e a frieza do treino, mas que a edifiquem sobre a rocha viva de Cristo Ressuscitado.”
A celebração Eucarística contou com a presença do Comandante do Corpo de Fuzileiros, Comodoro Martins de Brito, oficiais, sargentos, praças e civis, bem como do Capelão-Adjunto para a Marinha e Vigário Geral, Diamantino Teixeira, e do capelão dos fuzileiros, Marco Belchior. O grupo coral da Banda da Armada animou a liturgia, enquanto uma guarda de honra e os toques regulamentares marcaram a solenidade da ocasião.
As comemorações do 405.º aniversário do Corpo de Fuzileiros decorrem ao longo de toda a semana, tendo hoje início com esta celebração religiosa na capela de Nossa Senhora do Mar, na Base Naval de Lisboa.








