Cerimónia religiosa na Igreja de São João Baptista assinalou o sesquicentenário do Comando Distrital, com homilia dedicada à identidade e aos desafios da missão policial.


Bragança, 5 de março de 2026 – A Igreja de São João Baptista, antiga Sé de Bragança, foi esta manhã palco das cerimónias religiosas que marcaram o 150.º aniversário do Comando Distrital de Bragança da Polícia de Segurança Pública. A missa de ação de graças foi presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, D. Sérgio Dinis, que na homilia deixou uma reflexão sobre a identidade da instituição e a responsabilidade individual de cada agente.

A celebração contou com a presença do Diretor Nacional da PSP, Superintendente-chefe Luís Carrilho, e do Comandante Distrital de Bragança, Superintendente Rocha e Silva, que se juntaram a oficiais, chefes, agentes e pessoal técnico de apoio à atividade operacional. A concelebrar estiveram o padre Bento, pároco da Sé Velha, o padre José Ribeiro, o padre Luís Leal (Capelão Adjunto para a PSP) e o diácono Guilhermino.

Na sua homilia, D. Sérgio Dinis partiu do lema histórico da PSP – “Firmes e Vigilantes” – para o cruzar com as leituras do dia (Jeremias 17, 5-10 e Lucas 16, 19-31). “Não é uma fórmula retórica”, afirmou, “é a síntese de uma identidade que atravessa o tempo e que hoje agradecemos diante de Deus”.

O prelado alertou para os perigos da indiferença, ecoando a parábola do rico e de Lázaro. “O drama daquele homem não foi a riqueza, mas a incapacidade de ver o pobre à sua porta. Uma sociedade torna-se insegura quando cresce a indiferença”, disse, sublinhando que a missão policial deve ser “o contrário da indiferença”. “É proteger sem humilhar, é intervir sem esquecer que diante de vós está sempre uma pessoa.”

Dirigindo-se diretamente aos agentes, D. Sérgio Dinis elogiou o lema estratégico para o triénio – “proximidade e segurança” – considerando-o um sinal de “lucidez”. Contudo, deixou um aviso que ecoou na antiga Sé: “A vigilância que vos é pedida não é apenas operacional. É também vigilância sobre o próprio coração, para que a firmeza nunca se transforme em dureza.”

O bispo destacou ainda o valor particular da PSP num distrito do interior como Bragança. “Onde há desertificação humana, a proximidade torna-se essencial; onde há solidão, a autoridade deve ser também sinal de cuidado”, afirmou, desejando que os agentes sejam “como a árvore junto da água, capazes de resistir ao calor das pressões e à aridez das incompreensões”.

No final da cerimónia, o Director Nacional e o Comandante Distrital acompanharam as cerimónias comemorativas que se prolongam durante o dia, num balanço de 150 anos de história que, nas palavras do bispo, “não é somente evocar uma data; é reconhecer uma história concreta, feita de serviço, de disciplina e de dedicação ao bem comum”.