Sob o céu noturno de Queluz, a luz de quase 400 velas iluminou ontem, dia 18 de março, o percurso da Via Sacra que teve lugar no Regimento de Artilharia Antiaérea N.º 1 (RAAA1). A cerimónia, que assinalou esta data de 2026, juntou militares, forças de segurança e a comunidade civil numa celebração de fé e reflexão.
Organizada pela Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança, a iniciativa reuniu militares dos três Ramos das Forças Armadas, elementos da GNR e da PSP. Estiveram também presentes cadetes da Escola Naval, Academia Militar, Força Aérea e Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI), além dos Pupilos do Exército e do Colégio Militar.
A eles juntaram-se a Presidente da Junta de Freguesia de Queluz, bem como dezenas de fiéis das paróquias de Queluz, Belas, Massamá e Monte Abraão, que marcaram presença acompanhados pelos seus párocos, diáconos e acólitos. O percurso das estações foi embalado pelos cânticos e melodias da Banda do Exército, um contributo descrito por D. Sérgio Dinis como “habitual e inestimável” para o ambiente de meditação.
No momento da meditação final, D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, dirigiu-se aos presentes com uma reflexão sobre o sentido do sacrifício e do serviço. O prelado sublinhou que a Via Sacra não é uma “simples recordação”, mas um “mistério que ilumina a nossa vida”, tocando de perto “a vida de quem serve, de quem assume responsabilidades e carrega, muitas vezes em silêncio, o peso de decisões difíceis”.
Na sua intervenção, D. Sérgio Dinis estabeleceu uma ponte entre o sofrimento de Cristo e a missão diária das Forças Armadas e das Forças de Segurança. “Servir não é apenas cumprir uma função, mas viver uma vocação. Servir é carregar a cruz dos outros, proteger a vida, manter a justiça, permanecer fiel quando ninguém vê”, afirmou.
O Bispo Castrense deixou ainda um alerta contra o desgaste interior: “Existe a tentação de endurecer o coração, de relativizar a verdade, de deixar que o cansaço apague o sentido.” A sua reflexão culminou numa mensagem de esperança, lembrando que “a última palavra não é a morte, mas a vida. A Ressurreição garante que o amor é mais forte do que o sofrimento e que a entrega nunca é em vão”.
Após a bênção final, o Comandante do RAAA1, Coronel de Artilharia Simão Sousa, dirigiu palavras de agradecimento a todos quantos tornaram a cerimónia possível e participaram nela. O momento de recolhimento deu então lugar a um convívio entre militares, familiares e civis, fortalecendo os laços de camaradagem e comunidade que marcaram esta noite de oração em Queluz.










