Leão XIV recebeu uma delegação da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança no contexto dos 25 anos da autonomia da diocese e lembrou os dois militares falecidos recentemente

Cidade do Vaticano, 23 ago 2026 (Ecclesia) – Leão XIV recebeu hoje uma delegação do Ordinariato Castrense de Portugal, que assinala 25 anos de autonomia diocesana, com bispo próprio, e referiu-se à sua “construtiva colaboração” com as “autoridades estatais, governativas e militares”.

“Possa o Ordinariato, dando o seu inestimável contributo para o bem espiritual e para o conhecimento dos valores cristãos, continuar a ser um espaço de construtiva colaboração com as autoridades estatais, governativas e militares”, afirmou o Papa no discurso à delegação do Ordinariato Castrense de Portugal.

Cerca de 130 elementos constituíram a delegação que se deslocou hoje ao Vaticano para a audiência com o Papa Leão XIV no contexto da celebração dos 60 anos da instituição do Ordinariato Castrense em Portugal e dos 25 anos em que foi constituído como diocese autónoma, através da bula do Papa João Paulo II de 3 de maio de 2001, quando o então vigário geral castrense foi nomeado bispo da Diocese das Forças Armadas e Forças de Segurança ou Ordinariato Castrense.

No encontro com a delegação de Portugal, o Papa lembrou todas as unidades militares e policiais de Portugal, saudando todos os membros “do Exército, da Força Aérea, da Marinha, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública em Portugal”.

“De modo especial, recordo à luz de Cristo Ressuscitado os dois jovens militares do Exército que, na passada sexta-feira, perderam a vida enquanto generosamente, como o bom samaritano, pararam no caminho para prestar auxílio: confio-os ao Senhor, juntamente com as suas famílias”.

“Todos os dias, cabe a cada um de vós a nobre missão de defender a soberania da Pátria e o Estado de direito, zelando pela segurança dos concidadãos e protegendo-os das injustiças”, lembrou o Papa.

Leão XIV afirmou que “o ser humano, por muita responsabilidade que tenha, por muito poder que exerça, por muito irrepreensível que seja, é sempre faminto de infinito e sedento de eternidade”, referindo que “o infinito e a eternidade” estão ao alcance de todas as pessoas “em Jesus Cristo”.

O Papa dirigiu-se ao bispo da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança e aos capelãos presentes lembrando que a Igreja lhes “confia o crescimento espiritual dos militares e dos polícias da vossa Nação”.

“Acolhei a todos, escutai-os, iluminai-os com a sabedoria da Palavra de Deus, permanecei a seu lado agindo em nome de Cristo na celebração dos Sacramentos, acompanhai cada um sem esquecer as suas famílias”, afirmou. O Papa referiu o “específico ministério” que é confiado aos capelães em cada unidade e em cada missão, a partir da qual “se colherão os frutos do crescimento pessoal na prática da vida cristã e do revigoramento do ‘esprit de corps’ das Forças Militares e de Segurança” que servem.

“Obrigado pela proximidade que, como bons pastores, proporcionais a quantos desempenham um serviço tão importante, especial e exigente para o bem de Portugal e não só. O vosso testemunho de amor à Igreja e ao País é bálsamo, que conforta e dá esperança”, afirmou o Papa.

Leão XIV agradeceu também a todos os que fazem parte da delegação “a estima, o apreço e o reconhecimento diante do trabalho desenvolvido no Ordinariato”.

“Que Nossa Senhora de Fátima vos acompanhe nas diversas missões, tanto em Portugal como no estrangeiro”, concluiu o Papa.

Em declarações enviadas à Agência ECCLESIA, D. Sérgio Dinis, bispo da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança valorizou o encontro com o Papa, no âmbito das celebrações que assinalam os 25 anos em que o Ordinariato Castrense passou a ter um bispo próprio.

D. Sérgio Dinis referiu-se à “mensagem muito forte” do Papa, valorizando a proximidade dos capelãos, ao “serviço das forças armadas e das forças de segurança.

“Sermos próximos, procurarmos dar todo o apoio espiritual aos militares, aos polícias aos civis, que asseguram que Portugal seja um Estado de Direito e que asseguram a sua soberania”.

O bispo da Diocese das Forças Armadas recorda que “foi marcante” o momento em que “o Papa teve oportunidade de cumprimentar cada elemento desta grande delegação, praticamente de 130 pessoas, entre militares, polícias e civis, que dão o seu contributo e servem a Diocese das Forças Armadas e de Segurança”.

“É um dia grande alegria e de darmos graças a Deus, afirmou.

D. Sérgio Dinis, bispo da Diocese das Forças Armadas e Forças de Segurança, preside à delegação, de que fazem parte o ministro da Administração Interna, a embaixadora de Portugal junto da Santa Sé e o secretário de Estado Adjunto da Política da Defesa Nacional, assim como representações dos vários ramos das Forças Armadas e Forças de Segurança.

De acordo com a informação enviada à Agência ECCLESIA pelo Ordinariato Castrense, a delegação é composta também pelo chefe de Estado Maior da Armada, o chefe de Estado Maior do Exército o comandante-geral da Guarda Nacional Republicana, o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, e também delegações da Marinha, Exército e Força Aérea, Liga dos Combatentes, Instituto de Ação Social das Forças Armadas e capelães dos três ramos das Forças Armadas e das Forças de Segurança.

Vaticano: Ordinariato Castrense de Portugal é um «espaço de construtiva colaboração» com as autoridades «estatais, governativas e militares», afirmou o Papa