Sob o céu noturno de Queluz, a luz das velas de quase 400 fiéis iluminou ontem, dia 2 de abril, o percurso da Via Sacra no Regimento de Artilharia Antiaérea N.º 1 (RAAA1). Num momento marcado por profunda espiritualidade, militares, cadetes, capelães e civis uniram-se numa caminhada de reflexão, guiada pelas palavras do Bispo Castrense, D. Sérgio Dinis, que encerrou a cerimónia com uma poderosa mensagem: “A Via Sacra seja para nós sempre um caminho que conduz à vida, à Ressurreição. Seja para nós um caminho de Esperança.”

Uma noite de fé e união

A cerimónia, organizada pela Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança, reuniu militares dos três Ramos das Forças Armadas, elementos da GNR – Unidade de Segurança e Honras de Estado e da PSP, cadetes da Escola Naval, Academia Militar, Força Aérea e Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, além dos Pupilos do Exército e do Colégio Militar. Juntaram-se ainda autoridades como o Comandante do Regimento de Comandos e o Comandante do Regimento de Lanceiros, bem como fiéis das paróquias de Queluz, Belas, Massamá e Monte Abraão, acompanhados pelos seus párocos, diáconos e acólitos.

A Banda do Exército, presença habitual e “contributo inestimável” nestas cerimónias, como destacou D. Sérgio Dinis, embalou o percurso das estações com cânticos e melodias que convidavam à meditação.

“A Via Sacra é por nossa causa”

Na meditação final, o prelado sublinhou que o significado da Via Sacra vai além da simples recordação do sofrimento de Cristo. “Jesus ressuscitou – não precisa das nossas lágrimas. Esta caminhada é por nós, porque também nós, como Ele, enfrentamos quedas, injustiças e o desafio do perdão”, afirmou.

Dirigindo-se aos presentes, D. Sérgio Dinis lembrou que a cruz não deve ser vista apenas como um símbolo de dor, mas como a maior expressão de amor: “O próprio Filho de Deus entrega a vida voluntariamente por nós. Se a nossa cruz parecer pesada, olhemos para a de Cristo como exemplo de entrega e serviço.”

Gratidão e confraternização

No final da cerimónia, o Comandante do RAAA1, Coronel de Artilharia Encarnação Rosendo, agradeceu a todos os participantes e convidou-os para um momento de convívio. D. Sérgio Dinis, por sua vez, deixou uma mensagem no Livro de Honra do Regimento, destacando o “bom acolhimento” e enaltecendo o trabalho dos militares ao serviço da Pátria.

A troca de lembranças entre o Bispo e o Comandante selou uma noite em que a fé e o dever militar se cruzaram, reforçando a mensagem final de D. Sérgio Dinis: “Que este caminho nos lembre que, mesmo nas provações, há sempre esperança – porque, após a cruz, vem a Ressurreição.”