D. Sérgio Dinis presidiu a uma Missa e percorreu as instalações do Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea, na Ota, deixando uma mensagem sobre graça, permanência e a sacralidade da missão de formar.
O Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea (CFMTFA), sedeado em Ota, recebeu, na manhã de quarta-feira, 7 de maio de 2026, a visita pastoral de Sua Excelência Reverendíssima D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal — a autoridade religiosa que acompanha as Forças Armadas e as Forças de Segurança nacionais. A visita, inserida no plano pastoral da Diocese Castrense para o corrente ano, constituiu um momento de encontro espiritual e institucional de grande significado para toda a comunidade do CFMTFA.
O Bispo foi recebido à porta de armas pelo Comandante da Unidade, Coronel Marco Carvalho, sendo de seguida conduzido à Capela do Centro, antes de participar numa sessão de receção no Edifício do Comando. Seguiu-se uma apresentação detalhada da missão e das valências formativas do CFMTFA, unidade de instrução responsável pela formação militar e técnica dos efetivos da Força Aérea Portuguesa.
O momento central da visita foi a celebração da Santa Missa, presidida por D. Sérgio Dinis com a participação de centenas de militares, incluindo o Vice-Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Tenente-General João Caldas, o Comandante de Pessoal, Major-General Luís Graça, bem como oficiais, sargentos, praças, civis e recrutas do Centro. Concelebraram o Capelão Leonel Castro, Capelão Adjunto para a Força Aérea, o Pe. Fábio Alexandre, Capelão do CFMTFA, e o Capelão Óscar Paiva. Na homilia, o Prelado partiu das leituras do dia — dos Atos dos Apóstolos e do Evangelho de São João — para tecer uma reflexão profunda sobre três eixos: a graça de Deus, a vocação de permanecer e a sacralidade da missão de formar.
«Que por baixo de tudo o que construímos há uma fundação que não fomos nós que lançámos. Que a vida, na sua profundidade, é sempre dom antes de ser conquista.»
Evocando as palavras de São Pedro no Concílio de Jerusalém — «É pela graça do Senhor Jesus que seremos salvos» —, D. Sérgio Dinis desafiou os militares presentes a reconhecerem que por detrás do esforço, da disciplina e da superação existe sempre uma fundação que não é obra exclusiva da vontade humana. «A graça precede. A graça surpreende. A graça não pede licença», afirmou o Bispo, numa alocução que conjugou com mestria a linguagem espiritual com a realidade da vida militar.
O segundo grande tema da homilia foi o imperativo evangélico de permanecer: «Permanecei no meu amor», na voz de Jesus. D. Sérgio Dinis aproximou este convite à experiência concreta do recruta que chega ao CFMTFA entusiasmado no primeiro dia e enfrenta depois os «dias cinzentos, as horas duras» do processo formativo. A resposta a esse desafio, sublinhou, reside na promessa de Jesus: «Para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa» — uma alegria que nasce não do instante, mas da fidelidade.
Numa palavra dirigida especialmente a comandantes e formadores, o Bispo Castrense invocou a figura de Tiago no Concílio de Jerusalém para defender «uma pedagogia de misericórdia»: não impor fardos que esmaguem, mas acompanhar o caminho de cada pessoa. «Formar não é apenas transmitir competências técnicas — é fazer nascer em cada pessoa aquilo que ela ainda não sabe que é capaz de ser. É uma tarefa sagrada. É uma forma de cooperar com Deus», declarou D. Sérgio Dinis, encerrando a homilia com a invocação de Nossa Senhora do Ar, padroeira da Força Aérea.
Após o almoço, o Bispo percorreu diversas instalações do Centro, tendo visitado a Esquadra 991, os Laboratórios da Escola de Meteorologia e Análise Física da Atmosfera (EMAFA), a Torre de Controlo e o espaço museológico do CFMTFA, onde assinou o livro de visitas. Teve ainda oportunidade de se dirigir diretamente aos recrutas na parada, num gesto de proximidade e encorajamento pessoal.
A visita de D. Sérgio Dinis ao CFMTFA reforçou os laços entre a assistência religiosa castrense e a maior unidade de formação da Força Aérea Portuguesa, afirmando a dimensão espiritual como parte integrante da identidade e da missão das Forças Armadas.















