Ávila, 26 de maio de 2026 – A Catedral de Ávila acolheu esta manhã a Eucaristia que marcou a conclusão da 66.ª Peregrinação Militar Internacional a Lourdes. A cerimónia, profundamente emotiva, foi presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, e concelebrada pelos capelães que o acompanharam nesta jornada espiritual, entre os quais o Capelão Adjunto para o Exército, Pe. Luís Morouço.
A celebração foi esplendorosamente animada pelos cadetes da Academia Militar e pela Fanfarra do Exército, que deram um brilho solene à liturgia na terra de Santa Teresa.
Na introdução, o prelado estabeleceu de imediato uma profunda ligação entre a experiência da peregrinação e o simbolismo do local. “À noite tivemos o jantar, mas esta mesa é diferente: é a mesa do Senhor”, afirmou. D. Sérgio Dinis destacou a bênção de estarem naquela terra, “que diz tanto à vida da Igreja”, precisamente ligada a “uma mulher chamada Teresa”. Recordou Santa Teresa de Jesus como uma figura “importantíssima na espiritualidade e na vida da Igreja”, cujos textos, inspirados pela vida carmelita, os peregrinos poderão procurar após a passagem por “esta terra de Santa Teresinha”.
O Bispo Castrense recordou também a memória litúrgica celebrada neste dia: São Filipe de Néri. Descreveu-o como um homem com um grande futuro pela frente, no século XVI, que a tudo renunciou para se entregar totalmente ao serviço dos pobres e dos doentes.
Perante a assembleia, D. Sérgio Dinis lançou uma forte interrogação: “Será que Santa Teresa foi uma mulher perfeita? Será que São Filipe de Néri não teve quedas? Será que ser santo é só para alguns?” A resposta foi clara e direta: “Todos nós somos chamados à santidade. Não é preciso sermos extraordinários. Basta ser fiel àquilo a que o Senhor nos chama. Não há nenhum santo que não tenha passado pela queda, e não há nenhum pecador que não possa ter o futuro de se levantar.”
Na homilia, partindo das leituras proclamadas (1 Pedro 1, 10-16 e Marcos 10, 28-31), D. Sérgio Dinis desenvolveu três ideias centrais para os peregrinos militares.
Sob o tema do chamamento à santidade, recordou que as palavras de São Pedro não se dirigem apenas aos santos canonizados, mas “a gente comum, a peregrinos como nós, a homens e mulheres que vivem, na carne, o peso dos dias”. “A santidade não é perfeição sem mácula, sem pecados. É fidelidade apaixonada”, sublinhou.
Inspirando-se no carisma de Santa Teresa, falou do desasimiento — o desprendimento — como chave para a liberdade interior. “Não se trata de uma renúncia amarga: é a libertação de quem solta o que pesa para poder voar”, explicou, apontando o exemplo de São Filipe de Néri, que deixou tudo e partiu para Roma de mãos vazias. “Estes dias de peregrinação foram também um deixar: a rotina, o conforto, as defesas habituais. Expusemo-nos — ao cansaço, à oração partilhada, à fragilidade dos outros e à nossa própria.”
Por fim, desafiou os militares a tornarem-se mensageiros do que viveram, não com discursos, mas com o testemunho de vida. “O testemunho mais poderoso que podeis dar não é contar o que vistes em Lourdes, mas mostrar, nos dias que se seguem, o que Lourdes operou em vós.”
A homilia encerrou com um apelo vibrante: “A peregrinação não terminou ontem. Começa hoje, aqui, nesta cidade de Santa Teresa, onde a pedra e o céu se tocam. Sede santos. Confiai na promessa. Testemunhai.”
A celebração em Ávila foi o culminar de dias intensos de vivência espiritual e fraterna, devolvendo os peregrinos castrenses às suas fileiras com o desafio de levar a alegria séria e profunda do Evangelho aos seus lugares de missão.


















