LISBOA – A Igreja da Memória, Sé Catedral da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança, acolheu esta segunda-feira, 22 de dezembro, a celebração de Natal da Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional (DGRDN). A Eucaristia, presidida pelo Bispo Castrense, D. Sérgio Dinis, constituiu um momento de profunda reflexão sobre a missão humana e espiritual que sustenta a estrutura da Defesa em Portugal.
A cerimónia contou com a presença do Diretor-Geral de Recursos Humanos da Defesa Nacional, Major-General Rui Tendeiro, e do Diretor-Geral de Recursos (Património e Armamento), António Baptista, acompanhados por diversos colaboradores. Na concelebração, estiveram presentes o Padre António Borges da Silva (Capelão-Adjunto para a GNR e Capelão da Igreja da Memória) e o Padre Fernando Monteiro (Chanceler da Cúria Castrense).
Partindo da liturgia do dia, D. Sérgio Dinis proferiu uma homilia centrada na desconstrução de um “Natal fabricado” e puramente exterior. O prelado estabeleceu um paralelo entre a gratidão de Ana e a humildade de Maria para interpelar a ação diária dos presentes.
O Bispo alertou para o perigo de uma vivência natalícia feita de “luzes por fora e vazio por dentro”, citando o Papa Francisco para recordar que as árvores e os presépios perdem o sentido se a lógica da guerra e da indiferença persistir. “O Menino de Belém vem devolver-nos o essencial. Deus faz-Se pequeno para que ninguém fique de fora; faz-Se pessoa para dizer que a pessoa humana é sagrada, sempre e em qualquer circunstância”, afirmou.
Numa mensagem dirigida diretamente à missão da DGRDN, D. Sérgio Dinis sublinhou que a eficiência e as estruturas não são fins em si mesmas. O Bispo defendeu que celebrar o Natal é aprender a olhar para além da burocracia:
“Sem negar a importância das estruturas, dos recursos, do património e da organização, o Natal recorda-nos que tudo isso só faz sentido se estiver ao serviço das pessoas. Antes dos processos, das normas, dos interesses ou da eficiência, deve estar a pessoa humana.”
A homilia serviu como um apelo à consciência profissional, lembrando que “por detrás de cada documento há uma história e por detrás de cada decisão há uma vida”. D. Sérgio exortou os presentes a que nunca tratem o próximo como um “número ou objeto”, mas sim como um dom e um irmão, transformando assim o trabalho administrativo num verdadeiro ato de serviço e humanidade.
O Bispo concluiu com um voto de que o Natal deixe de ser apenas uma data no calendário para se tornar um “modo de viver”, enraizado na ternura e no cuidado mútuo. No final da celebração, foram expressos agradecimentos à hospitalidade da Igreja da Memória, encerrando um momento de união institucional que reforça os valores éticos e espirituais da Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional.













