Numa celebração que uniu três sacramentos, o Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal apelou a uma vivência diária da fé, “no quartel, na escola, na família”
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Lisboa, foi palco ontem, dia 6 de maio, de uma solene celebração da Iniciação Cristã, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal (Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança). A cerimónia, que contou com a administração de 7 batismos e 50 crismas, foi marcada por uma homilia desafiante centrada no conceito de testemunho.
Perante os crentes e suas famílias, D. Sérgio Dinis sublinhou que a palavra “testemunha” percorre como um “fio de ouro” as leituras da celebração. Citando os Atos dos Apóstolos, «Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas», o Bispo Castrense afirmou que este não é “um elogio antecipado”, mas sim “uma vocação”.
Na sua homilia, D. Sérgio Dinis explicou que o objeto deste testemunho não são ideias abstratas, mas a Palavra de Deus que se fez carne, “que tem nome, tem rosto, tem história: chama-Se Jesus Cristo”. O prelado recordou que a Palavra é uma “semente viva” que continua a semear e a chamar “também hoje, também aqui, também em vós”.
Dirigindo-se aos que receberam os três sacramentos da iniciação cristã – Batismo, Confirmação (Crisma) e Primeira Comunhão –, o Bispo descreveu-os como “uma única realidade: Jesus Cristo a habitar em vós”. Explicou que pelo Batismo renascem do Espírito e recebem um “carácter indelével”; pela Confirmação, recebem o Espírito Santo que torna capaz “de dizer a verdade quando é difícil, de amar quando é custoso, de permanecer quando tudo convida à fuga”; e pela Eucaristia recebem o próprio Cristo.
Aludindo à parábola do semeador, D. Sérgio Dinis exortou os fiéis a serem “terra boa”, que não significa ser “terra perfeita”, mas “terra fiel”: aquela que, dia após dia, “abre o coração à Palavra, a acolhe, a deixa crescer”.
“Ser cristão não é guardar uma recordação bonita de hoje; é viver, continuamente, com o coração aberto a Ele”, apelou, concretizando que esta atitude se traduz na escuta na oração, no reconhecimento de Cristo nos outros e em deixar que o Evangelho molde “as escolhas concretas de cada dia — no quartel, na escola, na família, no silêncio da consciência”.
A homilia concluiu com a definição última de ser testemunha: “Não é proclamar palavras, mas mostrar, pela própria vida, que Jesus Cristo ressuscitou e que vale a pena segui-Lo”. D. Sérgio Dinis invocou o Espírito Santo para que faça de todos os presentes “terra boa — e testemunhas corajosas” de Cristo.















