O Comandante-Geral, antigos comandantes e congéneres da Gendarmerie, dos Carabinieri e da Guardia Civil marcaram presença na celebração que homenageou também os militares caídos em serviço
A Guarda Nacional Republicana (GNR) deu início às comemorações do seu 115.º aniversário com uma Celebração Solene de Ação de Graças, realizada ontem, dia 2 de maio, na imponente Sé Catedral do Porto. A Eucaristia, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, reuniu as mais altas figuras da hierarquia da Guarda, autoridades civis e representantes de forças de segurança congéneres europeias.
O acolhimento às entidades e a todos os participantes esteve a cargo de D. Manuel Linda, Bispo do Porto, que recebeu na Catedral um vasto cortejo de individualidades. Entre os presentes, destacou-se o Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Ribeiro, o Secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, e o Comandante-Geral da GNR, Tenente-General Rui Veloso. Marcaram também presença antigos Comandantes-Gerais e representantes de topo das forças armadas e de segurança, como o Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, Tenente-General João Boga Ribeiro, e delegações da Gendarmerie Nationale francesa, da Arma dei Carabinieri italiana e da Guardia Civil espanhola.
Na sua homilia, D. Sérgio Dinis recorreu às palavras de Cristo — «Não se perturbe o vosso coração» — para enquadrar a missão dos militares da GNR, “homens e mulheres que escolhestes servir, que escolhestes ser guarda quando tantos preferem ser apenas passageiros”. O Bispo sublinhou que os 115 anos da instituição não são apenas um número, mas “uma memória viva” escrita “não só com tinta, mas com suor, com sacrifício e com sangue”.
Partindo das leituras do dia, D. Sérgio Dinis fez um paralelismo entre a necessidade de escolher líderes íntegros e a realidade da Guarda. “A GNR tem a necessidade de discernir quem serve, de formar, de confiar missões a quem possui não apenas competência, mas também integridade”, afirmou, alertando que “uma instituição sem memória é como um rio sem nascente — pode correr, mas não tem raiz.”
A celebração teve um profundo caráter de sufrágio por todos os militares que tombaram ao serviço. “Honrar os que vieram antes de nós não é nostalgia, nem apenas saudade. É justiça. E é também responsabilidade”, exortou o prelado, apelando a que o legado recebido seja transmitido às gerações futuras “mais robusto, mais nobre e mais fiel à sua missão original”.
Comentando o Evangelho de São João, o Bispo do Ordinariato Castrense concretizou a fé no dia-a-dia operacional da GNR. “Caminhar apoiados em Cristo é percorrer, sem desânimo, a estrada dolorosa e ao mesmo tempo jubilosa que vai da desconfiança à fé, do medo à entrega, da rotina ao sentido”, declarou, acrescentando que os militares encontram a verdade “nas vítimas que socorrem” e “nos abandonados que amparam”.
No final da sua intervenção, D. Sérgio Dinis deixou votos de que o lema do Evangelho se torne “o vosso modo” de servir, invocando a proteção de Nossa Senhora do Carmo. A cerimónia religiosa marca o arranque de um programa comemorativo que celebra mais de um século da GNR ao serviço da lei e da proteção dos cidadãos.


















