No mesmo dia em que esteve presente no Campo Militar de Santa Margarida, o Bispo Castrense, D. Sérgio Dinis, deslocou-se ao Estabelecimento Prisional Militar (EPM) de Tomar para uma celebração pascal na Terça-feira Santa, reforçando a presença espiritual da Igreja junto da comunidade militar em todas as suas dimensões.

A cerimónia contou com a presença do Diretor de Serviços de Pessoal, Brigadeiro-General Bento Soares, do Comandante do EPM, Tenente-Coronel João Miguel de Oliveira Capitulino, e de uma delegação da Conferência de São Maximiliano Kolbe, além de oficiais, sargentos, praças, funcionários civis e reclusos.

Na sua homilia, D. Sérgio Dinis partiu das leituras do dia (Isaías 49, 1-6; João 13, 21-33.36-38) para abordar dois temas profundos: o cansaço e a esperança.

1. O Cansaço que Não Tem a Última Palavra
Citando o profeta Isaías – “Cansei-me inutilmente, inutilmente gastei as minhas forças” –, o Bispo reconheceu os sentimentos de desânimo e solidão que podem marcar a vida de quem está privado de liberdade:

“Quantas vezes, no silêncio destas paredes, vos podeis ter sentido assim: cansados, esquecidos, como se tudo fosse em vão. Mas Deus não Se esquece. Ele vê o vosso coração, o arrependimento, o bem que, mesmo em silêncio, tentais fazer.”

2. Jesus na Noite da Traição: Um Amor que Persiste
Ao evocar o Evangelho, D. Sérgio recordou que Jesus, mesmo sabendo que seria traído por Judas e negado por Pedro, continuou a amar:

“Judas saiu para O entregar. Pedro jurou fidelidade, mas iria negá-Lo. E Jesus, conhecendo tudo, partiu o pão com eles. Assim é Deus: mesmo quando falhamos, Ele não desiste de nós.”

Citando o Papa Francisco, o Bispo sublinhou:
“‘Deus perdoa tudo. O problema é que, às vezes, não nos deixamos perdoar.’ Ninguém está definido pelo seu passado. O olhar de Deus fixa-se não no erro, mas na possibilidade de recomeçar.

3. “Hoje Estarás Comigo no Paraíso”
Dirigindo-se diretamente aos reclusos, D. Sérgio Dinis lembrou as palavras de Cristo ao bom ladrão na cruz:

“Mesmo que o mundo vos tenha julgado, Deus diz: ‘Tu és meu.’ Na cela mais isolada, na noite mais escura, Ele entra. E o Seu amor reconstrói o que parecia perdido.

O Responsável Católico terminou com uma mensagem de esperança, ligando o sofrimento humano à redenção trazida pela Páscoa:

“O que hoje vos parece noite, pode tornar-se manhã nova. Que a cruz de Cristo vos console e a Sua ressurreição vos renove.”

A visita, marcada por um profundo sentido de acolhimento e reconciliação, reforçou o compromisso da Igreja Castrense em acompanhar todos os militares, inclusive nos contextos mais desafiadores.