A Igreja Matriz de Tábua acolheu, na manhã deste domingo, a missa em ação de graças pelo 17.º aniversário do Comando Territorial de Coimbra da Guarda Nacional Republicana (GNR). A cerimónia, transmitida pela TVI, foi presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, que deixou um forte apelo à conciliação entre a firmeza da lei e a prática da misericórdia.

Perante uma assembleia que reuniu o Comandante do Comando Territorial de Coimbra, Coronel Diogo Dores, o Presidente da Câmara Municipal de Tábua, Ricardo Cruz, e demais autoridades locais e militares, D. Sérgio Dinis recorreu às paisagens beirãs para iniciar a sua homilia. “Nesta terra das Beiras, onde o Mondego, ainda menino, recolhe as primeiras histórias entre xistos e soutos”, o prelado iniciou uma profunda reflexão que cruzou a missão da GNR com o Evangelho do dia.

Inspirando-se no profeta Oseias e na passagem de São Mateus, D. Sérgio Dinis alertou para o perigo de uma “religião sem coração”, superficial como o “nevoeiro da manhã”. Recordou que Deus proclama: “Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios”, e sublinhou que o chamamento de Jesus a Mateus, o cobrador de impostos marginalizado, prova que o amor divino não exige garantias prévias. “Jesus não lhe impõe condições. Não lhe pede uma conversão prévia. O amor antecede o mérito; o chamamento precede a mudança”, afirmou.

Num ponto alto da homilia, o Bispo das Forças Armadas e de Segurança fez uma advertência que ecoou entre as fileiras da GNR: “Cometemos um grave erro quando procuramos primeiro ocultar o nosso pecado (…). Poucas vezes o ser humano está tão perto de Deus como quando se reconhece pecador e acolhe, agradecido, o seu perdão.”

A mensagem foi diretamente aplicada à missão dos militares. D. Sérgio Dinis reinterpretou o lema da GNR, “Pela Lei e Pela Grei”, definindo-o como uma verdadeira vocação. “Guardar a lei sem amar a grei, isto é, o povo, seria aplicar a letra esquecendo o espírito”, observou, para depois concluir: “Mas guardar a grei com a firmeza da lei é já uma forma concreta de misericórdia em ação.”

O Bispo destacou o rosto humano por detrás da farda: no idoso isolado para quem o guarda é a única presença diária, na vítima de violência que encontra na autoridade a força que lhe faltava, ou no jovem perdido que descobre uma fronteira protetora.

A celebração, concelebrada pelo Capelão Adjunto para a GNR, António Borges, pelo pároco local, André Silva, e pelo Capelão do Comando Territorial, António Santiago, serviu ainda para recordar os camaradas já falecidos. D. Sérgio Dinis encerrou a homilia confiando a instituição a Nossa Senhora do Carmo e a Santa Maria Maior, padroeira de Tábua, pedindo que “toda a vossa missão seja sempre um ato de amor ao próximo e de fidelidade a Deus.”