Bispo Castrense presidiu à cerimónia na Igreja da Sagrada Família e deixou uma mensagem de simplicidade e serviço aos militares.

A Força Aérea Portuguesa (FAP) comemorou este domingo, 5 de julho de 2026, o seu 74.º aniversário em Viana do Castelo. O ponto alto das celebrações foi a Missa de Ação de Graças e Sufrágio pelos militares e civis do ramo, realizada na Igreja da Sagrada Família.

A Eucaristia foi presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal. Perante uma assembleia que reuniu altas patentes militares, autarcas e famílias, o prelado centrou a sua homilia numa reflexão sobre a verdadeira natureza da força.

Partindo da profecia de Zacarias, que anuncia um Messias montado num humilde jumentinho e não num cavalo de guerra, D. Sérgio Dinis aplicou a mensagem à missão da FAP. “A verdadeira força não se mede pela capacidade de ameaçar, mas pela capacidade de proteger”, afirmou. “Quem serve nas Forças Armadas e, concretamente, na Força Aérea de um país livre e justo, não se eleva para dominar o céu, mas para o guardar.”

Numa intervenção marcada pela profundidade, o Bispo Castrense destacou a importância da simplicidade de coração, em contraste com a dureza de quem julga saber tudo. “Não é o conhecimento da Lei que aproxima o homem de Deus, mas a simplicidade do coração”, sublinhou, acrescentando que a farda militar deve ser entendida não como um ornamento, mas como um símbolo de “despojamento” ao serviço de uma causa maior.

Citando Santo Agostinho, D. Sérgio Dinis recordou que “naquilo que verdadeiramente se ama, ou não se sente o esforço, ou o próprio esforço se ama”, dirigindo-se diretamente aos militares. Concluiu que o serviço à Pátria, quando vivido com fé e amor, “deixa de ser apenas dever para se tornar um verdadeiro caminho de santidade”.

A cerimónia contou com a presença do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, do Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, da Presidente da Assembleia Municipal, da Presidente da União das Freguesias de Viana do Castelo e Meadela, entre outras individualidades civis e militares. Marcaram também presença antigos Chefes do Estado-Maior da Força Aérea e representantes dos outros ramos das Forças Armadas.

No final, o Bispo consagrou a Força Aérea a Nossa Senhora do Ar, sua padroeira, pedindo que ensine a “servir sem ruído e a amar sem medida”.