O Bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Sérgio Dinis, participou este fim de semana em diversas cerimónias em França, no âmbito das comemorações dos 107 anos da Batalha de La Lys, durante a I Guerra Mundial.

As homenagens, que contaram com a presença de delegações portuguesas e francesas, incluíram autoridades governamentais, militares e representantes da Liga dos Combatentes.

No sábado, 12 de abril, D. Sérgio Dinis presidiu a uma Missa em memória dos mortos na Grande Guerra na Igreja de Saint-Laurent, em Richebourg. Na homilia, D. Sérgio Dinis aprofundou a ligação entre o sacrifício dos soldados portugueses e o mistério da Páscoa, sublinhando que, tal como Cristo, muitos destes homens foram “vítimas de decisões alheias, mas não esquecidos por Deus”. Citando o Evangelho de São João (11, 45-52), recordou que “a morte, mesmo quando imposta pela violência humana, pode tornar-se caminho de redenção quando vivida com amor”.

O bispo castrense destacou ainda o paradoxo da guerra: “Aqueles que caíram em La Lys não morreram pelo ódio, mas pela fé num mundo mais justo – e essa esperança não pode ser traída”. Dirigindo-se aos presentes, pediu que a memória dos combatentes inspire “não discursos de glorificação, mas gestos concretos de paz”, especialmente num tempo marcado por novos conflitos.

Por fim, evocou as cartas dos soldados lidas por alunos franceses, afirmando que “aquelas palavras simples, cheias de saudade e coragem, são o verdadeiro monumento que devemos preservar”. A concluir, citou o Salmo 130 – “Das profundezas, clamo por Vós, Senhor” –, lembrando que “o grito dos que partiram há 107 anos continua a interpelar a nossa humanidade hoje”.

No domingo, as cerimónias prosseguiram em Boulogne-sur-Mer e Ambleteuse. No Cemitério do Leste de Boulogne-sur-Mer, foram depositadas coroas de flores e entoados os hinos nacionais de Portugal e França, com a presença do Presidente da Liga dos Combatentes e do Cônsul-Geral de Portugal.

Em Ambleteuse, D. Sérgio Dinis proferiu uma comovente oração junto ao monumento da Cruz Vermelha Portuguesa, recordando o papel das enfermeiras portuguesas durante a guerra:

“Elas nunca os abandonaram. Nem mesmo quando tudo o que podiam fazer era vê-los morrer.”

Na evocação, D. Sérgio Dinis destacou o seu “heroísmo silencioso” que, em plena Grande Guerra, cuidaram dos feridos “não como soldados, mas como irmãos”. A oração, carregada de simbolismo, recordou que muitas dessas mulheres testemunharam “a fronteira mais dolorosa da humanidade: quando já nada resta a fazer senão acompanhar a passagem para a eternidade”.

O bispo sublinhou a atualidade do gesto dessas pioneiras: “Num mundo que ainda hoje marginaliza o cuidado como profissão menor, elas ensinaram-nos que a verdadeira grandeza está em curar, não em destruir”. A referência ao lágrimas de pombos, no final da cerimónia, foi apresentada como “um sinal de que a memória dos que serviram deve converter-se em semente de paz”.

A cerimónia incluiu ainda a entrega de medalhas pela Cruz Vermelha Portuguesa.

Ao longo das celebrações, D. Sérgio Dinis sublinhou a importância de guardar “não apenas nas lápides dos túmulos, mas dentro do nosso coração” a memória dos militares portugueses que caíram em combate.

As comemorações encerraram com um apelo à unidade e à fraternidade, honrando o sacrifício daqueles que lutaram “pela vida, pelo direito, pela justiça, pela liberdade e pela paz.”