Cerimónia solene em Queluz reuniu altas patentes e entidades civis para homenagear os militares que morreram no combate a um incêndio em 1966, num tributo que uniu memória, fé e dever.

O Regimento de Artilharia Antiaérea N.º 1 (RAAA1), em Queluz, assinalou esta segunda-feira, dia 7 de setembro de 2026, o 60.º aniversário da tragédia que vitimou 25 militares do antigo Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa, durante o combate a um violento incêndio na Serra de Sintra. A evocação, marcada por profunda solenidade, reuniu altas patentes militares e representantes de entidades civis, num tributo que perpetuou a memória e o heroísmo daqueles homens.

A cerimónia teve início com uma Missa na capela do Regimento, presidida pelo Bispo do Ordinariato Castrense, D. Sérgio Dinis, e concelebrada pelo Capelão Fernando Monteiro. Na sua homilia, D. Sérgio Dinis recordou o contexto da tragédia e sublinhou o significado duradouro do sacrifício daqueles militares.

“Há sessenta anos, num dia como o de hoje, trinta e sete homens deste Regimento subiram a Serra de Sintra para enfrentar um fogo que já se estendia por vinte quilómetros. Vinte e cinco não voltaram a descer. Eram jovens. Não morreram numa guerra; morreram a servir, no lugar exato onde lhes fora ordenado estar”, afirmou o Bispo, citando a primeira leitura do Livro de Ben-Sirá para enquadrar a importância da memória como fundamento da identidade.

Num discurso profundamente enraizado na linguagem militar e na fé cristã, D. Sérgio Dinis invocou São Paulo e o Evangelho de São João para confortar as famílias e dignificar o ato de entrega. “Nós não viemos aqui apenas recordar. Nós viemos para oferecer. A nossa fé ensina-nos que o sacrifício eucarístico é oferecido também pelos fiéis defuntos, para que sejam purificados e admitidos à visão de Deus”, declarou, acrescentando que “as flores murcham, os ciprestes hão de envelhecer. Esta Missa, não. Nela, o Senhor Jesus toma de novo estes vinte e cinco nomes e apresenta-os ao Pai.”

O prelado dirigiu ainda palavras de conforto às famílias, sublinhando que o seu luto “não é um luto sem porta. É uma espera. O grão foi lançado à terra daquela serra queimada — e Deus não perde nenhuma semente.”

Após a celebração eucarística, a evocação culminou com uma romagem ao local exato onde os corpos dos militares foram encontrados, há seis décadas. Em memória do seu derradeiro ato de coragem, foram depositadas 25 gerberas, uma por cada vida ceifada no cumprimento do dever. Este gesto final de homenagem reafirmou o legado de serviço e honra que os militares do RAAA1 continuam a defender, perpetuando a memória dos seus camaradas caídos.

O evento contou com a presença de diversas entidades, entre as quais o Diretor Honorário da Arma de Artilharia, Tenente-General João Luís Morgado Silveira, o Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Professor Doutor Marco Almeida, o Comandante da Brigada de Intervenção, Brigadeiro-General Pedro Miguel do Vale Cruz, o Comandante do Regimento de Artilharia Antiaérea N.º 1, Coronel Simão Pedro da Costa de Sousa, e o Comandante do Regimento de Comandos, Coronel Manuel António Paulo Lourenço. Marcaram igualmente presença representantes do Serviço Municipal de Proteção Civil de Cascais, das Juntas de Freguesia, da Proteção Civil e dos Bombeiros, além do efetivo da unidade.

O sacrifício dos 25 militares da Serra de Sintra permanece como um símbolo de altruísmo e dever, que recorda que a vida militar é, muitas vezes, uma vocação de serviço que exige a entrega total.