Missa foi presidida por D. Sérgio Dinis, bispo do Ordinariato Castrense, na capela da nova Sede da Unidade, em Coimbra. Cerimónia militar decorre a 21 de setembro, dia de São Mateus

A Unidade de Ação Fiscal (UAF) da Guarda Nacional Republicana (GNR) assinalou ontem, quinta-feira, 17 de setembro, o aniversário da criação da Guarda Fiscal, com uma Celebração Solene de Ação de Graças na capela da nova Sede da Unidade, na Quinta das Canas – Lages, em Coimbra. A eucaristia foi presidida pelo bispo do Ordinariato Castrense, D. Sérgio Dinis, e antecipou a liturgia da Festa de São Mateus, padroeiro da Unidade, que se celebra na próxima segunda-feira, 21 de setembro.

A data escolhida evoca a criação da Guarda Fiscal, em 17 de setembro de 1885. Este ano assinalam-se 141 anos. A ocasião serviu também para a inauguração do memorial aos mortos.

Na homilia, D. Sérgio Dinis centrou-se em São Mateus, “o cobrador de impostos” chamado por Jesus quando estava no seu posto de cobrança. Recordando São Beda, sublinhou que o Senhor “olhou-o com misericórdia e escolheu-o” — o lema Miserando atque eligendo, adotado pelo saudoso Papa Francisco. “Primeiro o olhar, depois a escolha; nunca pela ordem inversa”, disse.

Dirigindo-se aos militares da UAF, o bispo afirmou que o Evangelho não pede menos rigor, mas pede que esse rigor “não endureça o coração de quem o aplica”. “Misericórdia não é fechar os olhos. É não confundir nunca o processo com a pessoa que está do outro lado dele”, salientou, acrescentando que “só quem não despreza é que julga bem”.

D. Sérgio Dinis destacou ainda o trabalho da Unidade como “obra de justiça”: cada fraude descoberta, cada circuito de contrabando desmontado e cada imposto desviado devolvido ao Estado transforma-se em escolas, hospitais, estradas, segurança e pensões. “Quem foge ao tributo não engana apenas o Estado: retira aos mais pobres aquilo que o País lhes devia”, afirmou.

A partir da carta de São Paulo aos Efésios, o bispo exortou à unidade, recordando que “a diferença dos dons não é uma ameaça à unidade” e que esta exige humildade, mansidão e paciência. “Sem elas, uma unidade é só um organograma”, avisou. Agradeceu também a herança da Guarda Fiscal e da Brigada Fiscal, “gerações de homens e mulheres que, muitas vezes na sombra e sem aplauso, guardaram a honestidade de um País”.

Estiveram presentes o comandante da UAF, coronel Paulo José, oficiais, sargentos, guardas e pessoal civil, além do capelão adjunto para a GNR, padre António Borges da Silva, e do capelão da Unidade, padre António Santiago.

A cerimónia militar comemorativa está marcada para 21 de setembro, dia de São Mateus.