A Academia da Força Aérea viveu hoje, dia 17 de dezembro, um momento de profunda espiritualidade e comunhão institucional com a celebração da Missa de Natal, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal.
A cerimónia, que reuniu a comunidade académica e militar, foi pautada por uma reflexão teológica que ligou a missão militar à mensagem cristã.
Na sua homilia, D. Sérgio Dinis traçou um itinerário espiritual que partiu do “alto dos montes de Isaías” até ao “silêncio profundo” do Evangelho de São João, defendendo que o Natal não é uma teoria ou uma ideia abstrata, mas sim o momento em que Deus entra na história como uma presença viva, tornando-Se carne para habitar entre os homens.
Aprofundando a mensagem das Escrituras, o prelado recordou o grito das sentinelas de Isaías, que, perante uma Jerusalém em ruínas e um povo ferido pelo exílio, foram as primeiras a reconhecer a chegada de Deus.
D. Sérgio Dinis estabeleceu um paralelo com a atualidade, referindo que, tal como o povo de Israel, também hoje somos muitas vezes “prisioneiros de nós mesmos”, das exigências e das pobrezas escondidas, necessitando da notícia de que Deus não desiste da humanidade.
Ao refletir sobre a Carta aos Hebreus, o Bispo salientou que, no meio do ruído e das promessas fáceis do mundo contemporâneo, Cristo surge como a palavra definitiva que sustenta e salva, demonstrando que a verdadeira grandeza não teme a fragilidade humana e que a luz aceita, por amor, nascer no coração da noite.
O Bispo do Ordinariato Castrense sublinhou ainda o mistério da Incarnação presente no prólogo de São João, destacando que Deus não observou a humanidade à distância, mas escolheu entrar nas nossas lutas e carências.
“O Natal começa precisamente na fragilidade”, afirmou, lembrando que Deus escolhe entrar exatamente onde nos falta o tempo, as forças ou a paz interior.
Desta reflexão, D. Sérgio Dinis extraiu três apelos concretos para o quotidiano da Força Aérea: a importância de olhar uns pelos outros, reconhecendo as lutas silenciosas que não constam em relatórios; a recusa da indiferença, reforçando que servir Portugal é indissociável da proteção dos mais frágeis e da defesa da dignidade humana; e a vivência de uma esperança com nome, Jesus, que levanta e fortalece quem serve.
A celebração contou com a presença de Sua Excelência o Comandante da Academia da Força Aérea, Major-General Paulo Costa, do Diretor do Museu do Ar, Coronel Carlos Mouta Raposo, e do Comandante da Base Aérea N.º 1, Coronel Jorge Inácio, para além de diversos oficiais, sargentos, praças e civis.
A acompanhar o Bispo estiveram o Padre Leonel Castro, Capelão Adjunto para a Força Aérea, e o Padre Óscar Paiva, Capelão da Academia.
A solenidade foi enriquecida pela prestação musical do Coro da Academia da Força Aérea e dos músicos presentes, a quem foram dirigidos agradecimentos especiais no final de uma celebração que exortou todos a serem “sentinelas da esperança”, vigilantes e unidos na missão de servir.





















