A Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, foi esta manhã o palco central das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. A tradicional missa solene reuniu as Forças Armadas, antigos combatentes e a sociedade civil numa cerimónia carregada de simbolismo, onde se evocaram os valores da identidade nacional e a proteção espiritual da nação.
A Eucaristia foi presidida pelo Vigário-Geral da Diocese das Forças Armadas, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Capelão Diamantino Júlio Custódio Teixeira. Durante a homilia, o sacerdote sublinhou a feliz coincidência de a data cívica celebrar também, no calendário litúrgico, o Anjo da Guarda de Portugal — figura cuja devoção remonta às origens do reino e foi reavivada pelas aparições de Fátima.
Perante uma assembleia que contou com expressiva representação dos três ramos — Marinha, Exército e Força Aérea — e a presença de ex-combatentes, o capelão adjunto para a Marinha recorreu às leituras do dia para traçar uma ponte entre a história militar e a dimensão espiritual do país. Partindo da profecia de Daniel, que descreve a luta entre anjos e os “príncipes dos reinos”, o Pe. Diamantino Teixeira lembrou que “a história humana não é feita apenas de jogadas políticas ou estratégias militares”, mas também de uma batalha invisível entre a luz e as trevas.
“Hoje, ao homenagearmos os nossos Combatentes, percebemos que o heroísmo humano e a proteção divina andam de mãos dadas. Os nossos soldados foram, muitas vezes, os braços visíveis da proteção que o Anjo da Guarda operava no invisível”, afirmou, arrancando um momento de profundo recolhimento ao recordar quantos “pagaram com o próprio sangue o preço da nossa liberdade”.
A celebração não se esgotou na memória bélica. Num ano em que se celebra Luís de Camões e as Comunidades Portuguesas, o capelão lançou um olhar de apreço sobre a Diáspora. “Onde há um português no mundo, há uma extensão desta pátria”, disse, classificando os emigrantes como “anjos da guarda da nossa cultura e da nossa língua”.
Num tom que misturou solenidade com um apelo à ação cívica, o Vigário-Geral deixou um alerta contra a “nostalgia bacoca”, sublinhando que honrar Portugal hoje exige trabalhar ativamente pelo bem comum, apoiar os veteranos e promover a paz. “O melhor monumento que podemos erguer aos nossos combatentes é cuidar de Portugal, lutando pela justiça e pela honestidade nas nossas instituições”, concluiu.
A cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos, que antecedeu as restantes comemorações oficiais do 10 de Junho, reafirmou assim o encontro entre a fé, a memória militar e o futuro coletivo, com uma bênção final dedicada a todos os que defendem a Pátria e àqueles que repousam já na “Pátria Celestial”.