Batalha, 20 de julho de 2025 – O Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, foi ontem palco de uma Eucaristia transmitida em direto pela TVI, assinalando as Comemorações do 170.º Aniversário do Nascimento de Mouzinho de Albuquerque e o Dia da Arma de Cavalaria do Exército Português. A celebração, inserida num programa de três dias de eventos que destacam a história e o legado da Cavalaria, reuniu diversas individualidades e a comunidade, num tributo a uma das mais marcantes figuras militares da história nacional.
Na Missa, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, estiveram presentes o Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, TGEN Maia Pereira, o Presidente da Câmara Municipal da Batalha, Dr. Raul Castro, e o Diretor Honorário da Arma de Cavalaria, TGEN Carlos Alves, entre outras autoridades civis e militares.
Na sua homilia, D. Sérgio Dinis convidou os fiéis a redescobrir o valor da hospitalidade, apresentando-a como um “lugar de encontro com Deus”. Partindo das leituras do XVI Domingo do Tempo Comum, o Bispo destacou o exemplo de Abraão, que, ao acolher três homens desconhecidos, sem o saber, recebia o próprio Deus. Este gesto, sublinhou D. Sérgio Dinis, “é mais do que cortesia: é uma forma de fé”, pois, para Abraão, “quem chega não é um incómodo — é uma bênção”.
Prosseguiu com a análise do episódio de Marta e Maria em Betânia. Enquanto Marta se ocupava dos afazeres, Maria optou por escutar Jesus. D. Sérgio Dinis frisou que, embora ambas as atitudes sejam válidas, Jesus recorda que “a escuta é o princípio de tudo”. “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas… só uma é necessária”, ecoou a voz do Evangelho, levando o Bispo a alertar para a agitação dos nossos tempos.
Para D. Sérgio Dinis, “o essencial da hospitalidade é a presença, não a pressa; é o encontro, não a agitação”. A verdadeira hospitalidade, defendeu, começa por “Escutar, por tornar-se presente ao outro”.
O prelado não hesitou em contextualizar a mensagem da hospitalidade face aos desafios contemporâneos, particularmente a questão da migração e do desenraizamento. Mencionou os milhões de pessoas forçadas a abandonar as suas terras devido a guerras, perseguições, fome e alterações climáticas. Perante esta realidade, o Bispo salientou que a “hospitalidade cristã – ensinada por Abraão, vivida por Marta e Maria – é um dever moral e espiritual”.
Contudo, a reflexão também trouxe uma nota de responsabilidade, afirmando que “o acolhimento não pode ser confuso nem desordenado”. D. Sérgio Dinis reconheceu o direito e o dever do Estado de “proteger o bem comum”, mas sem esquecer o direito de todo o ser humano a viver com dignidade, segurança e liberdade. Defendeu um acolhimento “com compaixão, mas também com responsabilidade”, salientando que “a segurança não deve justificar a exclusão, nem a prudência pode levar à inação”.
Foi neste ponto que o Bispo estabeleceu uma ligação direta com a Arma de Cavalaria. Com a sua história ligada à mobilidade, vigilância, reconhecimento e proteção, a Cavalaria “ensina-nos que a verdadeira força está na prontidão, na clareza de objetivos, na proteção dos mais vulneráveis”.
D. Sérgio Dinis comparou a “vigilância do coração” necessária para escutar e acolher com a prontidão dos que servem nesta Arma, sempre “atentos aos sinais e fiéis à missão”.
A homilia terminou com o convite de D. Sérgio Dinis para que esta celebração ajudasse a “recentrar o olhar”: a escutar a Palavra de Jesus, a acolher com fé os que chegam e a servir com generosidade. “Não confundamos segurança com indiferença, nem prudência com fechamento do coração. O verdadeiro cristão acolhe porque tem raízes. Serve porque escuta. Ama porque foi amado primeiro”, concluiu o Bispo
As comemorações do 170.º aniversário do nascimento de Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, patrono da Arma de Cavalaria Portuguesa, foram organizadas pela Câmara Municipal da Batalha e pelo Exército Português. O programa teve início a 15 de julho, com uma palestra sobre a vida e feitos do herói militar, no Auditório Municipal da Batalha.
No dia 19 de julho, foram inauguradas uma exposição de meios, equipamentos e atividades da Arma de Cavalaria, aberta ao público, e uma exposição de artigos sobre Mouzinho de Albuquerque no Posto de Turismo da Batalha. A jornada de sábado culminou com um concerto da Orquestra Ligeira do Exército, numa demonstração de proximidade com a comunidade.
O ponto alto das celebrações ocorreu ontem, 20 de julho, com a Missa de sufrágio no Mosteiro da Batalha, seguida de uma Cerimónia Militar. Esta contou com a presença em parada de forças do Regimento de Lanceiros N.º 2, Regimento de Cavalaria N.º 3, Quartel de Cavalaria e Regimento de Cavalaria N.º 6, simbolizando a unidade e a rica história da Arma.
Após as cerimónias, os presentes tiveram a oportunidade de visitar novamente a exposição “Equipamentos e Atividades da Arma de Cavalaria” e participar num almoço convívio, reforçando os laços entre os militares, as autoridades e a população.
Estas comemorações representaram uma ocasião ímpar para o público contactar com a história, os valores e as capacidades atuais da Arma de Cavalaria, ao mesmo tempo que se prestou uma justa homenagem a Mouzinho de Albuquerque, uma figura que continua a inspirar com o seu exemplo de coragem, liderança e dedicação à Pátria.

