Na Igreja de Santa Cruz, em Lamego, D. Sérgio Dinis presidiu à missa do Centro de Tropas de Operações Especiais e pediu aos militares que levem para a vida a coragem de entrar onde os outros recuam
Lamego, 26 de junho de 2026 – O Centro de Tropas e Operações Especiais (CTOE) assinalou esta manhã as suas comemorações com uma eucaristia solene na Igreja de Santa Cruz, presidida pelo bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, D. Sérgio Dinis. Perante as mais altas figuras da Defesa Nacional, do Exército e das autarquias locais, o prelado deixou uma mensagem enraizada na escuta, na proximidade e na memória, destacando o exemplo do soldado João Rafael Cardoso, que morreu em janeiro passado enquanto se preparava para servir o país.
Na saudação inicial, D. Sérgio Dinis cumprimentou, com particular estima, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão, o Chefe da Casa Militar da Presidência da República, tenente-general Paulo Maia Pereira, e demais oficiais generais, entre os quais os tenentes-generais João Boga Ribeiro, Campos Serafino, Lemos Pires, Pedro Soares, Rui Ferreira e João Silveira. Saudou ainda o presidente da Liga dos Combatentes, tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, o vice-presidente da Câmara Municipal de Lamego, Hugo Maravilha, o presidente da Junta de Freguesia de Lamego, Nuno Gonçalves, e o comandante do CTOE, coronel Paulo Roxo, além de oficiais, sargentos, praças e trabalhadores civis do Exército.
A partir das leituras do dia, D. Sérgio Dinis partiu da crónica de cerco e exílio do rei Sedecias para alertar contra a tentação de confiar apenas nos próprios cálculos. “Quantas vezes fechamos os ouvidos à voz que nos chama a algo maior? Não é fraqueza ouvir. Ouvir é sabedoria”, afirmou. E acrescentou que “o homem que sabe escutar é mais forte do que aquele que apenas decide”. A primeira certeza deixada à assembleia foi, por isso, a de que “ouvir a Deus é mais seguro e mais forte do que decidir sozinho”.
Num segundo momento, o bispo comentou o Evangelho em que Jesus estende a mão e toca um leproso, gesto que classificou de “grandiosidade incalculável”. “Há uma mão que atravessa a fronteira do medo e da exclusão para tocar a ferida de um homem. E esse toque cura”. Dirigindo-se diretamente aos militares das Operações Especiais, recordou o seu lema camoniano – Que os muitos, por ser poucos, não temamos – e exortou-os a fazer dessa coragem uma marca também na fé: “Sede capazes de tocar aquilo que os outros têm medo de tocar. De estar onde os outros preferem não estar. Porque a lógica do Evangelho é também esta: a entrega total, a missão cumprida até ao fim, o amor que não calcula.”
O momento de maior emoção chegou com a evocação de João Rafael Cardoso, o jovem de 23 anos que frequentava o curso de Operações Especiais e cuja morte abalou o país. D. Sérgio Dinis recordou a visita à família, em Mafra, a 30 de janeiro, e sublinhou: “O João Rafael não partiu por acaso. Morreu enquanto se preparava para servir Portugal, enquanto se tornava naquilo a que sentia ter sido chamado. Isso tem um valor moral e humano que nenhuma dor conseguirá apagar.” O bispo revelou ainda a devoção simples mas profunda do soldado a Nossa Senhora de Fátima e assegurou: “O Exército Português não esquece os seus filhos. E a Igreja, que vos acompanha e serve, não esquece as famílias que carregam esta saudade.”
A encerrar a homilia, D. Sérgio Dinis sintetizou três certezas para o caminho: a força de escutar Deus, o sinal da mão estendida como verdadeiro gesto de fé e a vitória da vida sobre a morte, “porque a última palavra pertence a Deus”. E lançou um último apelo aos “Rangers de Lamego”: “Vós, que entrais onde poucos chegam, lembrai-vos de que sois também chamados a entrar na profundidade da vida com a mesma coragem com que entrais na operação. Com fé, com lealdade, com o coração aberto ao Senhor que nunca abandona os seus.”
As comemorações prosseguiram durante o dia com iniciativas que reforçam o prestígio da unidade de elite do Exército Português, numa jornada marcada pelo recolhimento, pela memória e pela reafirmação do espírito de missão que define os homens e mulheres do CTOE.








