Porto, Igreja de S. José das Taipas, 20 de abril de 2026 – Numa celebração que reuniu os mais altos representantes das Forças Armadas e das Forças de Segurança na região Norte, o Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, D. Sérgio Dinis, presidiu esta manhã à Missa da Comunhão Pascal. Perante uma assembleia repleta de uniformes e emblemas distintos, o prelado desafiou militares, guardas e polícias a encontrarem na serenidade de Santo Estêvão e na força da Ressurreição o verdadeiro sentido do serviço à Pátria.

A homilia, centrada na figura de Estêvão (At 6, 8-15) e no diálogo de Jesus sobre o “alimento que dura até à vida eterna” (Jo 3, 1-8), foi um momento de profunda reflexão sobre a vocação de quem veste uma farda.

“Há um rosto que atravessa as duas leituras de hoje: é o rosto de quem serve com integridade”, começou por afirmar D. Sérgio Dinis. Recordando o relato bíblico em que os adversários de Estêvão viram o seu rosto “parecido com o rosto de um anjo”, o Bispo Castrense sublinhou que “a serenidade dos inocentes é inexpugnável. Nenhuma mentira consegue apagar o resplendor de uma consciência limpa. ”

Dirigindo-se diretamente à diversidade da assembleia — que incluía elementos do Exército, Força Aérea, GNR, PSP, Polícia Judiciária Militar e Polícia Municipal —, D. Sérgio Dinis elencou as diferentes missões. “Missões diferentes, uniformes diferentes, emblemas diferentes, mas uma mesma vocação de fundo: defender o bem, proteger o fraco, garantir que a liberdade não seja apenas uma palavra bonita, mas uma realidade vivida”.

No entanto, o Bispo deixou um alerta inspirado no Evangelho do dia. “É possível servir por prestígio, por segurança, por hábito — e esquecer o horizonte verdadeiro do serviço”, advertiu, contrapondo que há um trabalho que perece e outro que fica gravado para sempre: “o trabalho que é feito com amor, com justiça, com entrega genuína ao bem do outro”.

Num dos momentos mais marcantes da homilia, D. Sérgio Dinis associou a alegria da Páscoa à rotina muitas vezes invisível das forças de segurança e militares: “A Ressurreição é uma força que transforma a matéria do quotidiano, o turno noturno, a patrulha sob chuva, a fronteira vigiada, o cidadão em pânico que liga a pedir socorro. ”

A celebração contou com a presença de Sua Excelência o Comandante do Comando de Pessoal do Exército, Tenente-General Pedro Soares, do Segundo Comandante do Comando Metropolitano do Porto da PSP, Superintendente Fernando Lopes, e dos Comandantes Territoriais da GNR do Porto, Coronel Paulo Serra; de Aveiro, Coronel Vasco Dias; de Braga, Coronel Carlos Morgado; e de Viana do Castelo, Coronel António Silva. Marcaram ainda presença representantes da Força Aérea, da Polícia Judiciária Militar, da Liga dos Combatentes e um significativo corpo de Capelães.

No final, D. Sérgio Dinis reforçou a simbologia daquela celebração conjunta: “Ramos diferentes, missões distintas, e todavia, uma única mesa. Comemos do mesmo Pão para nos tornarmos, juntos, pão repartido para o bem do mundo. ” E concluiu com uma bênção e um desejo deixado àqueles que zelam pela segurança nacional: “Que os vossos rostos, como o rosto de Estêvão, resplandeçam com a luz de quem serve com integridade e vive com esperança. ”