Celebração transmitida pela TVI a partir da Capela de Nossa Senhora da Saúde, em Martim Moniz, assinalou um século e três décadas de missão ao serviço dos mais vulneráveis.

A Capela de Nossa Senhora da Saúde, no coração de Martim Moniz, em Lisboa, acolheu na manhã deste domingo, 14 de junho de 2026, a Missa solene do 130.º Aniversário da Fundação-Lar de Cegos de Nossa Senhora da Saúde. A celebração, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, foi transmitida em direto pela TVI, chegando a lares, hospitais e residências em todo o território nacional e além-fronteiras.

A Eucaristia constituiu o momento central das comemorações de uma instituição fundada em 1896, por vontade testamentária de D. Maria Balbina dos Reis Pinto — falecida em 20 de junho de 1890 —, que legou um edifício para acolher cegos pobres de Lisboa. Sob administração da Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde e São Sebastião, a obra cresceu ao longo de cento e trinta anos de presença fiel junto dos mais vulneráveis.

“Recebestes de graça, dai de graça”: a homilia do Bispo

Na homilia, D. Sérgio Dinis partiu das leituras do dia — Êxodo 19, Romanos 5 e Mateus 9-10 — para tecer uma meditação sobre a missão como resposta gratuita ao amor de Deus. Recordando a aliança do Sinai, o Bispo sublinhou que a eleição de Israel não era um privilégio fechado, mas uma vocação universal: “ser propriedade especial de Deus não significa ser o favorito. Significa ser o enviado.”

Evocando a cena evangélica em que Jesus contempla as multidões com entranhas de compaixão, D. Sérgio Dinis destacou que essa compaixão não paralisa, antes mobiliza: “A compaixão não é um sentimento que se guarda. É uma força que mobiliza.” O prelado aplicou essa lógica à obra da Fundação, cujos trabalhadores e voluntários identificou como aqueles que, quotidianamente, curam enfermos e expulsam os “demónios da solidão, do abandono e da invisibilidade que tantas vezes a nossa sociedade impõe aos mais velhos e aos mais frágeis.”

O Bispo evocou com particular relevo a figura de D. Maria Balbina dos Reis Pinto, descrevendo-a como alguém que “não se limitou a falar da caridade — praticou-a, não se ficou pelas palavras, transformou-as em obras.” A homilia terminou com um apelo dirigido a todos os que acompanhavam a celebração à distância: olhar as multidões fatigadas com os olhos de Jesus e agir, porque “recebemos de graça, de graça somos chamados a dar.”

A celebração reuniu uma assembleia representativa das instituições ligadas à Fundação. Estiveram presentes, entre outros, o Major-General Dias Martins, Provedor da Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde e de São Sebastião; o Brigadeiro-General Marques Avelar, Vice-Provedor; o Coronel Duarte Trindade, Presidente do Conselho Executivo da Fundação-Lar; e o Tenente-General Ribeiro de Oliveira, antigo Presidente da Assembleia Geral da Real Irmandade. O Reverendo Padre Alberto Gomes, Capelão da Real Irmandade, esteve igualmente presente, assim como membros estatutários, trabalhadores, utentes da Fundação e os Militares do Terno de Clarins da Fanfarra do Exército.

A homilia terminou com uma prece à Nossa Senhora da Saúde, invocada como intercessora de todos os que servem e de todos os que são servidos, para que a Fundação-Lar continue a ser, por muitos anos, sinal visível da ternura de Deus sobre os seus filhos.