O Regimento de Artilharia Antiaérea N.º 1 (RAAA1) assinalou hoje, dia 7 de setembro de 2025, o 59.º aniversário da tragédia que vitimou 25 militares do antigo Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa, durante o combate a um incêndio na Serra de Sintra. A cerimónia, um tributo solene à memória e ao heroísmo, reuniu familiares dos falecidos, altas patentes militares e representantes de entidades civis.

A evocação teve início com uma Missa na capela do Regimento, celebrada pelo Capelão Fernando Monteiro. Na sua homilia, destacou o paralelismo entre o sacrifício dos jovens militares e a exigência do discipulado cristão, sublinhando a forma como eles encarnaram, de maneira heróica, o mandamento de “amar até ao fim”.

A reflexão baseou-se nas passagens bíblicas do dia, centrando-se na ideia de que seguir a Cristo tem um custo. “Eles não procuraram a morte, mas não hesitaram em arriscar as suas vidas para salvar outros”, afirmou o capelão, traçando um paralelo com a passagem evangélica de carregar a cruz. O memorial aos 25 militares, presente na capela, serviu de ponto de partida para uma profunda reflexão sobre o significado do serviço e do sacrifício.

O capelão lembrou que o seu ato “é um testemunho concreto do que significa carregar a cruz” e que “o seu sacrifício é a nossa herança, e uma lembrança constante do nosso compromisso de serviço”. A homilia também abordou o simbolismo das duas cruzes na capela — a de Cristo, que dá sentido a todo o sofrimento, e a réplica da Cruz das Jornadas Mundiais da Juventude, que simboliza a esperança na ressurreição.

Dirigindo-se aos presentes, o sacerdote desafiou-os a refletir sobre a “torre” a construir (uma vida de fé sólida e íntegra) e a “batalha” a travar (contra o egoísmo, a indiferença e o pecado). O objetivo, disse, é viver com a mesma coragem e disciplina que aqueles 25 jovens demonstraram.

A cerimónia culminou com uma romagem ao local exato onde os corpos dos militares foram encontrados, há quase seis décadas. Em memória do seu derradeiro ato de coragem, foram depositadas 25 gerberas, uma por cada vida ceifada no cumprimento do dever. Este gesto final de homenagem reafirmou o legado de serviço e honra que os militares do RAAA1 continuam a defender, perpetuando a memória dos seus camaradas caídos.

O evento contou com a presença de diversas personalidades civis e militares, incluindo o Tenente-General Morgado Silveira (Diretor Honorário da Arma de Artilharia), Bruno Parreira (Vice-Presidente CMSintra), o BGen Octávio Avelar (Presidente do Conselho da Arma de Artilharia), Domingues Quintas (Vereador da CMSintra), o Cor Inf Pedro Barreiro (2° Cmdt BrigInt), o Dr. Rui Ângelo (Proteção Civil de Cascais), a Dra. Paula Alves (Pres JUF Queluz e Belas), o Cor Art Paulo Rosendo (Comandante do RAAA1), Familiares dos militares falecidos, Comandantes dos Bombeiros, Oficiais, Sargentos e Praças. A presença de familiares e amigos dos militares falecidos tornou a homenagem ainda mais emotiva e pessoal, reforçando o vínculo entre a história e as gerações atuais.

O sacrifício dos 25 militares da Serra de Sintra permanece como um símbolo de altruísmo e dever, que nos recorda que a vida militar é, muitas vezes, uma vocação de serviço que exige a entrega total.