Portugal assinala em 2026, 60 anos do Vicariato Castrense de Portugal, os 40 anos da Constituição Apostólica ‘Spirituali Militum Curae’, “que elevou os Vicariatos a Ordinariatos” e os 25 anos do Ordinariato Castrense de Portugal
Fátima, 19 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e de Segurança disse que a paz “precisa de raízes mais profundas” e que o amor “é o fundamento” para que a esta não se desfaça “à primeira tempestade”.
“Amar assim é o único fundamento de uma paz que não se desfaz à primeira tempestade. Viemos a Fátima porque algo em nós sabe que a força das armas não basta para fazer a paz, e que a segurança que vem dos equipamentos e das fardas precisa de uma raiz mais profunda. Viemos pedir a Maria essa raiz. Viemos deixar-nos renovar”, afirmou D. Sérgio Diniz na homilia da celebração da XLIII Peregrinação Militar Nacional a Fátima, enviada à Agência ECCLESIA.
“A Mãe de Deus não veio com um programa político nem com uma solução diplomática: veio com um itinerário interior. Disse-nos que a paz não se constrói apenas nos tratados entre nações, mas sobretudo na conversão do coração de cada homem”, acrescentou.
Na Basílica da Santíssima Trindade, onde militares, polícias e civis das Forças Armadas e Forças de Segurança, capelães militares, o ministro da Defesa Nuno Melo, o Chefe do Estado-Maior da Armada, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Chefe da Casa Militar da Presidência da República, entre outras autoridades, o bispo do Ordinariato Castrense afirmou a fragilidade da paz “que nunca está definitivamente conquistada”.
“Vós que servis a paz — que patrulhais as fronteiras, que garantis a segurança dos cidadãos, que estais prontos a partir para missões longe de casa — sabeis melhor do que ninguém que a paz é frágil, que custa e que nunca está definitivamente conquistada. E eu, como pastor que vos acompanha, sei que a paz interior é igualmente exigente”, lembrou.
O responsável afirmou o serviço nas Forças Armadas e nas Forças de Segurança “não apenas” como uma profissão, mas indicou-a como “vocação”: “É uma resposta a um chamamento que interpela a consciência e exige que se ponha em risco, não apenas o corpo, mas também interpele a própria vida interior. E o mesmo se aplica àqueles que, como eu, foram chamados ao ministério pastoral. Também a minha vida é um chamamento, e também eu preciso de perguntar onde guardo o meu tesouro”.
D. Sérgio Dinis recordou a “assistência espiritual às fileiras”, como um ato “tão antigo quanto a própria nação”, levando a Igreja a estar presente, “lado a lado com os que serviam, partilhando o sacrifício e sustentando a esperança”.
Assinalam-se em 2026 os 60 anos do Vicariato Castrense de Portugal, os 40 anos da Constituição Apostólica Spirituali Militum Curae, “que elevou os Vicariatos a Ordinariatos” e os 25 anos do Ordinariato Castrense de Portugal, tornando-o “Igreja particular própria em pleno sentido teológico, eclesiológico e canónico”.
O bispo apontou estas datas como a celebração de uma “fidelidade”.
D. Sérgio Dinis indicou ainda “o coração de Maria” como “escola onde se aprende a amar como Deus ama, a ver o mundo com olhos purificados, a servir sem procurar recompensa”.








