Foto: Igreja Açores/RH

Angra do Heroísmo, Ilha Terceira – A Igreja de São João Batista, situada na Fortaleza do Monte Brasil, em Angra do Heroísmo, reabriu ontem, 26 de julho de 2025, ao culto, após um significativo restauro. A cerimónia de reabertura, marcada pela solenidade e emoção, foi presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, e contou com a presença de diversas autoridades civis e militares.

A Celebração Eucarística teve início com a bênção da nova porta da igreja, um gesto litúrgico de profundo simbolismo, como realçou D. Sérgio Dinis na sua homilia. O Bispo sublinhou que esta porta evoca o próprio Cristo, que se auto-definiu como “a porta das ovelhas”. Ao entrar por esta porta, os fiéis acedem não apenas a um edifício renovado, mas a “uma casa onde Deus habita, onde o Seu povo se reúne, onde a vida interior é restaurada.”

D. Sérgio Dinis fez questão de agradecer publicamente à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, pelo “empenho, colaboração e generosidade” que tornaram possível o restauro. O Bispo enfatizou que o património religioso é, muitas vezes, parte intrínseca da identidade coletiva, e que a sua preservação demonstra o cuidado não apenas com as estruturas físicas, mas com “os alicerces vivos da sua alma”.

A homilia do Bispo do Ordinariato Castrense refletiu sobre as leituras do XVII Domingo do Tempo Comum (Gn 18, 20-32; Col 2, 12-14; Lc 11, 1-13), focando-se na oração do Pai-Nosso, que Jesus ensina aos discípulos. D. Sérgio Dinis desdobrou cada uma das invocações do Pai-Nosso, atribuindo-lhes um significado particular no contexto atual e no ambiente militar da fortaleza:

* “Pai nosso…”: A importância da fraternidade e da inclusão, reconhecendo todos como irmãos.
* “Santificado seja o teu nome”: O testemunho de vida dos cristãos como forma de louvar a Deus.
* “Venha o teu Reino”: A súplica pela paz, justiça e reconciliação, com uma ressonância especial para o serviço das Forças Armadas, que deve ser em prol da paz e da dignidade humana.
* “Dá-nos o pão de cada dia”: O convite à partilha e à solidariedade diária, alimentada pela Eucaristia.
* “Perdoai-nos…”: O perdão como ato de humanização e libertação, e a igreja como lugar de reconciliação.
* “Não nos deixeis cair em tentação”: A necessidade de reencontrar o essencial e resistir à superficialidade, alimentando a esperança.

D. Sérgio Dinis concluiu a sua intervenção com um apelo à abertura dos corações, para que a Igreja de São João Batista não seja apenas uma casa de pedra, mas um “templo espiritual com Cristo no centro”, sendo um “sinal vivo da presença de Deus” para militares e toda a comunidade.

A celebração contou com a notável presença do Bispo da Diocese de Angra do Heroísmo, D. Armando Domingues, do Comandante da Zona Militar dos Açores, Brigadeiro-General Silva Ferreira, do Comandante do Regimento de Guarnição nº 1, Coronel Matos Grilo, do Comandante do Regimento de Guarnição 2, Coronel Vítor Lopes, do Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Prof. Doutor Álamo de Meneses, e dos Capelães Militares que servem no Ordinariato Castrense no Arquipélago dos Açores, o Pe. Bruno Espínola e o Pe. Gaspar Pimentel.