Marinheiros, fuzileiros, familiares e antigos combatentes subiram este sábado ao alto da Penha, em Guimarães, para o 46.º Encontro Nacional de Marinheiros. A celebração eucarística, presidida por D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal, decorreu no Santuário de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira dos que atravessam as águas, e contou com a presença das mais altas figuras da Armada e da autarquia.
Na homilia, D. Sérgio Dinis partiu da imagem de “olhar para o mar a partir da terra ou olhar para a terra a partir do mar” para traçar o perfil do militar cristão: um homem de horizonte largo, mas com o olhar treinado para ver “o que está caído”. A partir do Evangelho de São Mateus (Mt 8, 5-17), o bispo recordou a figura do centurião romano que, sendo homem de autoridade, sai de si para interceder pelo servo paralítico. “Não pede para si. Pede por aquele que não tem voz. Esta é a sua primeira grandeza: a atenção ao frágil, a capacidade de ver o que os outros ignoram.”
O prelado fez uma leitura directa da realidade castrense, evocando “o companheiro que regressa diferente de uma missão”, “o camarada que sorri no quartel, mas se desfaz em casa” e “o veterano que traz consigo feridas que o fardamento cobre, mas o coração não consegue esconder”. Num tom de reconhecimento da dor, mas também de apelo à camaradagem, afirmou: “O verdadeiro herói do mar não é o que nunca sente a tempestade. É aquele que sabe reconhecer a tempestade no coração do outro e não passa ao largo.”
A fé foi apresentada como forma de coragem. D. Sérgio Dinis sublinhou a admiração de Jesus pelo centurião, cuja confiança absoluta na palavra do Senhor o levou a dizer “Senhor, diz uma só palavra e o meu servo ficará curado”. “A fé não é o refúgio dos fracos. É a força daqueles que sabem que, sozinhos, não chegam”, declarou, ligando esta atitude ao Portugal que “ousou olhar para a terra a partir do mar, com risco e entrega”.
A celebração, que decorreu no local simbólico onde nasceu a nacionalidade, foi também um acto de memória e de renovação da vocação marítima do país. No final, o bispo pediu a intercessão de Nossa Senhora do Carmo para que todos recebessem “o olhar do centurião, capaz de ver o que está caído, e a sua fé, capaz de confiar numa única palavra”.
Entre as entidades presentes, destacaram-se o Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, Almirante Nobre de Sousa, o Vereador da Câmara Municipal de Guimarães, Constantino Veiga, o Juiz da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Penha, Manuel Roriz Mendes, o Reitor do Santuário, Padre Carlos Sousa, e os capelães Diamantino Teixeira (Vigário-geral do Ordinariato Castrense e Capelão Adjunto para a Marinha) e Alexander Baccarini, além de oficiais, sargentos, praças, militarizados, civis e suas famílias.
O encontro confirmou-se, mais uma vez, como uma celebração da maritimidade, da camaradagem e do serviço, sob o manto da Padroeira dos navegantes.











